quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Niilismo Existencial

Por que existem as flores?
Ora, para que os insetos a polinizem. Os insetos a polinizam para que elas virem frutos. Elas virem frutos para proteger as sementes. As sementes existem para que novas árvores nasçam.
Errado!
As flores não existem para cumprir alguma missão de serem polinizadas e assim por diante. Não. Elas existem, e é só.
Não existe esta relação de finalidade das coisas, ou seja, nada existe com alguma missão ou por algum motivo. As coisas simplesmente existem, e é só.
A vida é nada além de um fato. Não estamos para fazer nada, isso de motivo é delírio de nossa razão que procura motivar tudo o que vê.
É claro que criamos as coisa para suprir alguma necessidade. Por exemplo, uma caneta existe com a finalidade de escrever. Ela existe para isso. Este é o motivo pela qual foi criada. Mas este motivo só existe em nossa concepção, em nossa mente, em nossa representação do mundo.

O ponto em que quero chegar é este:
Quanto esforço foi desprendido pelas maiores mentes da história de nossa humanidade na procura de uma razão pela qual somos, mas ainda hoje, depois de milhares de anos, ainda não se encontrou nada, e isto se dá por um motivo muito simples: é impossível encontrar algo onde não existe nada.
A frase" Estamos aqui por que..." Não tem fundamento. A única coisa certa é "Estamos aqui." e ponto final.
"Por que existo" é uma coisa e "para que existo" é outra.

Por que existo?
Porque bilhões, trilhões de pessoas se reproduziram e se reproduziram e se reproduziram através dos milênios até que, numa destas reproduções surgiu eu. Esta é a CAUSA.
Para que existo?
Nada!
Para que existiram estes tantos bilhões e trilhões se reproduzindo descontroladamente?
Nada!
Quando eu fui criado, haviam milhões de espermatozóides tentando fecundar o óvulo, mas só o meu conseguiu.
Por que eu?
Nada!
Eles existiram e eu existo e outros vão existir, e ponto final. Não há nada além disso.

A flor existe: fato.
Ela tem pólen: fato.
O inseto espalha o pólen: fato.
A flor vira semente e fruto: fato.
A semente gera outra planta: fato.

Não existe motivo. É tudo uma cadeia de acontecimentos, tudo causa e efeito, e isto é tudo. Não há razão em nada fora de nossas cabecinhas.
Nada!
Assim é fácil ver que não existe motivo: uma pedra caiu encima de outra (causa) e as duas se partiram (efeito).
Por que se racharam?
Porque uma uma caiu encima da outra.
Para que se racharam?
Nada!

E é isto, estamos aqui e vivemos pelo mesmo motivo que as pedras se racham: nenhum.
A essência de tudo é só causa e efeito (consequencia). Não há nada além.

As coisas simplesmente são, e é isto.

Aqui tem um texto muito inspirador sobre o Niilismo: http://ateus.net/artigos/filosofia/niilismo.php

11 comentários:

  1. Compartilho a sua visão. Temos de para de procurar razões e motivos para nossa existencia.

    Como você disse, existimos e isso é fato.

    Que todos seja capazes de viver suas vidas, temos de aproveitar a vida, pois é isto que temos.

    Chega de procurar respostas inexistentes, de acreditar no que não existe.

    Vamos viver.

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  2. Muito bom.

    Gostei da compração com as pedras. Rs


    Éder Scaquetti.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. "Sou eu próprio uma questão colocada ao mundo e devo fornecer minha resposta ao mundo , caso contrario estarei reduzido a resposta que o mundo me der"

    (Carl Gustav Jung)

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  5. Suas palavras não tem sentido. Pra que ter um blog. Pra mim nada. Para você tem sentido. E qual a causa efeito de suas palavras. Palavras e coisas não coexistem nós é que damos relação. Acredito sim que tem um modo de existêcia. O niilismo...

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  6. a felicidade e a euforia é quem gera a ilusão de significado

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  7. Por que colocaram a imagem de uma samambaia como imagem de banner, e a frase "dormência mental" ? ??? Há algo em relação ??

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  8. Concordo que tudo é aquilo que é enquanto é, mas isso não impede o significado de existência. O Niilismo não é uma ideologia, como se vc pudesse escolher de que lado eu torço. É uma constatação, de um momento de crise, uma crise que nasce das estruturas do conhecimento, motivada pela multiplicidade do próprio, conjunta com a morte da verdade absoluta, ou se preferir a morte de Deus. Essa constatação nietzschiana adverte o surgimento do niilismo num processo contínuo de individualização da verdade. Então surge a crise que exige uma nova ideia generalizadora do mundo.

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  9. As flores existem e sim, elas existem para atraírem os insetos e serem polinizadas. No niilismo existencial, o processo é compreendido, e precisa ser para que se chegue à conclusão de sua insignificância. Então o processo, a causa e o efeito não são negados, simplesmente são levados ao último estágio de análise, que é desprovido de significado.

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  10. Não sabermos explicar as razões da nossa existência é uma coisa, negar essas razões por pura ignorância é outra completamente diferente. O platonismo e o cristianismo procuraram responder a essa questão com a promessa de uma alma imortal e uma vida eterna após a morte. A ideia agradou a muitos e, hoje são milhões de fieis a essa ideia absurda e desprovida de qualquer fundamento.

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  11. Por que existo? Por que faço parte de um organismo superior e sou uma peça que precisa ser substituída.
    Para que existo? Não sei e ninguém sabe qual a nossa função nesse organismo. É nesse ponto que as religiões procuram dar uma resposta. Ancorada na metafísica platônica, a religião cristã adotou a "imortalidade da alma" e passou a valoriza mais o além em detrimento do aquém. Uma forma de dominar, oferecendo recompensas para os que acreditassem e obedecessem, ao mesmo tempo que ameaçava os que não cressem e obedecesse.

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