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domingo, 15 de maio de 2011

Depressão

Acho que a humanidade só conseguirá ir adiante com tudo isso com a ajuda de antidepressivos.
O mundo está todo doente.
Eu sei que eu só consigo acordar de manhã e ir trabalhar por causa dos remédios. Não tenho motivação para nada, sei que não sou o único. Somos cada vez mais numerosos os seres humanos sem vontade de vida.
Minha geração é uma geração doente, e a próxima está se mostrando ainda mais doente.
Estamos numa época em que até a vontade é artificial, pois ela está acabando e está sendo envenenada igual às águas e o ar e as florestas.
Um mundo doente é resultado de uma civilização doente.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Eu, o Erro de Uma Geração

Sempre tenho esta sensação de estar fora das coisas e de estar enganando as pessoas quando ando nas ruas. Sensação de estar sempre usando disfarces, tentando parecer semelhante a meus semelhantes.
Provavelmente isso vem dos tempos da escola na época de meus 5 a 18 anos(crianças e adolescentes podem ser mortalmente cruéis quando querem). Esta foi a época em que começou a pressão intensa em minha personalidade por aquilo que eu tinha que ser e tinha que fazer mas até hoje não consigo: não consigo me expressar como deveria, não consigo me sentir deveria, não consigo ver como deveria.
Por isso, evito conviver com as pessoas. Aquele monstro nascido nos tempos da escola entrou na minha cabeça, fez um buraco no meu cérebro e mora lá dentro até hoje. Ele se alimenta de vergonha, medo e constrangimento, mas eu não estou mais disposto a cooperar com ele.

Tendo dito isto,

acabou-se o tempo em que eu me iludia pensando que era melhor do que os outros. Hoje eu sei que se não vivêssemos nos tempos que vivemos eu nem sequer seria selecionado para sobreviver. Eu sou parte da falha dessa geração causada pelas constantes experiências da mãe natureza e também da sociedade, já que ambas em seus sistemas tendem a selecionar sempre os mais adaptados ao meio seja ele qual for.
Sei que se fossemos uma manada de zebras, por exemplo, fugindo da seca, eu seria um daqueles fracos e cansados que ficaria para trás servindo de alimento para os leões dando a oportunidade para os melhores fugirem.
Eu deveria ter sido selecionado naturalmente à extinção, no entanto aqui estou enquanto muitos dos fortes são exterminados nos becos da sociedade.
Sou apenas um fragmento do erro da evolução neste imenso jogo, não tenho nada do que me orgulhar.

Não digam que eu estou escolhendo o caminho mais fácil, não há nada mais difícil nessa vida do que aceitar a própria vida.
Afinal, fracos ou fortes, todos nós chegaremos sempre ao mesmo final.
Não nos afundemos em nossas ilusões.
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Ou tudo ao contrário...
Eu não sei de nada, só falo aquilo que me vem na cabeça.
Não existe verdade alguma nas coisas.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Prisão

Doutor, doutor! O que há de errado comigo?
Sinto a sombra da morte fria de minha alma sugando cada gota de energia que me resta.
Meu coração dispara e minhas mãos estão suadas.
O choro me engasga preso na garganta e o grito não sai.
A respiração não é suficiente, não é suficiente. Sinto a dormência mental tomando conta de todo o meu ser.
Minha alma chora arrependida todos os dias por ter saído do conforto da não-existência para nascer nesta prisão cruel e sem sentido. Meu corpo implora para voltar para a terra e para o descanço no colo quente da mãe natureza de onde nunca deveria ter saído.
Meus olhos doem. Estou tão cansado mas não consigo dormir.
O frio cresce em meu peito e a angústia tira minha respiração.
Me ajude doutor!
Dê um nome a este sentimento, por favor. Mate-o em mim antes que ele me mate.
Por favor, não me deixe congelar aqui fora no escuro.
Me ajude a voltar para dentro. Me ajude a enlouquecer novamente.
Por favor.

Pink Floyd - Hey You

Será o sofrimento apenas mais um mecanismo de sobrevivência desenvolvido nos bilhões de anos da evolução?

sábado, 17 de abril de 2010

Máquina

A Sombra da Máquina se estende pelo campo, atravessa as colinas e toca minha alma.
Seu som é como os gritos de bilhões de espíritos sendo quebrados, pois ela se alimenta de crianças.
Sim, ela quebra seus espíritos e usa seus corpos na produção de seu combustível hediondo.
Eu quero correr, quero fugir, mas não consigo. Já corri o mais longe que pude.
Estou cansado.
Só há uma saída agora. Uma única saída!
Mas o preço é muito alto, eu não posso pagar. Ainda não.
E enquanto estou sentado no verde gramado sob a sombra terrível da Máquina, sinto o vento frio que foge dela e ouço o rizo alegre daqueles que conseguiram pagar o preço da morte.
Como eu queria ir junto. Mas não consigo.
Ainda não.
Os gritos se aproximam a cada segundo.
Ela nunca conseguirá quebrar meu espírito, é por isso que doerá tanto.

domingo, 4 de abril de 2010

O Coração da Criancinha

Há alguns anos havia uma criança que, brincando e se escondendo por ruas escuras, encontrou um monstro que a comeu viva.
Mais tarde o monstro defecou e em meio aos fétidos excrementos, cabelo não digerido e vermes, a merda tomou consciência, encontrou o coração daquela criança e disse consigo mesma:
"Hoje sou merda, mas um dia fui aquela criança alegre que brincava de esconder pelas ruas escuras com seus amiguinhos. Este era meu coração e agora é o que tenho de mais precioso."

Ainda não perdi aquele meu coração.
Hoje vivo num mundo de excrementos que se disfarçam de homens e se esquecem de que um dia foram criancinhas comidas pelo monstro e que hoje não passam de merda disfarçada igual a mim.
Mas eu me lembro, pois guardo o coração ainda sujo e agonizante daquela criancinha que perde seu calor a cada dia e apodrece.
Eu sei que um dia eu terei que enterrá-lo pois o cheiro é insuportável.
Sei que um dia me esquecerei.
Sei que um dia atrairei outras crianças para o monstro comer.

sábado, 3 de abril de 2010

Cemitério de Vagalumes

Eu nunca terei um filho.
Seria insuportável a culpa de quando eu olhasse aquela criança e pensasse em todo o sofrimento que ela terá quando começar a entender o mundo e que só vai aumentar até que um dia ela morra em forma de adulto.
Sinto a mais profunda tristeza quando vejo crianças brincando e simulando o mundo adulto em suas fantasias com grande expectativa de se tornarem pessoas grandes e poderem fazer o que quiserem. Que crueldade sem tamanho cometemos: deixamos elas sonharem e viverem felizes enquanto podem, criarem suas esperanças e sonhos para mais tarde serem devoradas e cagadas em forma de cidadãos. Deixamos que elas cresçam completamente desprevenidas!
Não deveríamos deixar que criassem esperança, pois ela é a mãe do sofrimento.
Em 6.000 anos de história nenhum esforço foi realmente efetivo contra o sofrimento humano. E não me refiro a fome, guerra e doenças, mas ao sofrimento cotidiano. Aquele de cada dia de trabalho e de frustrações, de cada desejo e sonho que não pode ser alcançado, de cada pedaço de nossa vida que tentamos desesperadamente cobrir com o pouco de alegria que conseguimos, de cada madrugada em que você não quer dormir por causa da promessa de um "novo" dia que virá depois.
Estou falando daquele sofrimento de quando você percebe que vai perder toda a sua vida se matando de trabalhar dia após dia perseguindo algo que nunca vai encontrar correndo em círculos e vendendo aquilo que tem de mais precioso para alimentar um sistema monstruoso que te manda produzir e reproduzir mais e mais para no fim ser descartado e enterrado como se tivesse vivido plenamente.
Eu não quero ver uma criança saindo de casa para viver num mundo desse.
O maior favor que se pode fazer a todas essas almas ainda não nascidas que esperam inocentemente do outro lado é combater a procriação da espécie humana que, diga-se de passagem, já está condenada e deveria ser eliminada da mesma maneira que se amputa uma perna podre ou se sacrificada como um animal agonizante.

Aqui vai um vídeo para levantar o astral.