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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eu, a Mente

Qual é a relação entre a matéria e a mente?
Ainda hoje não se sabe a localização da consciência no corpo. É como se ela não estivesse em lugar algum, isto é, nós não estamos em lugar algum.
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Eu sou uma mente e não posso ser situada em nenhum lugar no Espaço (somente no Tempo) embora meu único meio de comunicação com as outras mentes é através deste Espaço, Tempo e matéria.
Cada um de nós é uma mente isolada das outras. Nunca podemos realmente transmitir uma ideia, um pensamento ou um sentimentos, mas apenas sinais de linguagem e padrões para que as outras mentes interpretem e assim reproduzam replicas destas ideias, pensamentos e sentimentos em seu entendimento. Fazemos o possível para que estas interpretações sejam o mais fieis possíveis ao original, mas no fim são outras ideias em outras mentes. Meras interpretações, meras representações.
Nunca poderemos realmente conhecer uns aos outros. Tudo que temos são estas interpretações, estas réplicas. Nunca conheceremos a "coisa em si".
Somos apenas mentes recebendo sinais e produzindo réplicas umas das outras, interpretando umas às outras, e nunca realmente nos conhecendo.
Uma pessoa que "conheço" é apenas uma interpretação armazenada em meu entendimento.
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Cada consciência é uma ilha ligada às outras através desta realidade que é nosso meio de comunicação, e nós somos Aqueles-que-Conhecem-e-que-Nunca-Podem-Ser-Conhecidos.
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"A mente é uma coisa estranha e maravilhosa. Não sei se ela será capaz de desvendar a si mesma. Todo o resto talvez: desde o átomo até o universo. Tudo, exceto a si mesma."
Trecho do filme "Invasion of the Body Snatchers- Os Invasores de Corpos"

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Despersonalização (Dormência Mental)

Em psicologia e psiquiatria, a despersonalização é entendida como "uma desordem dissociativa caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, de ruptura com a personalidade, processos amnésicos e apatia."
É um estado no qual a pessoa tem a sensação de estar "fora de si" como se estivesse em algum outro lugar controlando à distancia seu corpo e sua mente como um boneco.
É este estado que chamo de Dormência Mental, e acontece quando "tomamos consciência de nossa consciência".
Explico:
nosso mundo é dividido em objeto e sujeito: Objeto é tudo aquilo que podemos conhecer, isto é, as coisas das quais podemos ter consciência(coisas, pensamentos, espaço, tempo, sons, etc). Sujeito é aquele que conhece as coisas mas que nunca pode ser conhecido, é aquele que tem consciência daquilo que está "fora", do objeto, do universo.
O fato de dizermos "eu conheço tal pessoa" não significa que conhecemos aquele sujeito, pois este não pode ser encontrado, é o "eu" da pessoa, a consciência que só pode ser localizada no tempo e nunca no espaço. Apenas o sujeito pode ter uma leve ideia de si mesmo.
O que ocorre na despersonalização é um fenômeno (acidental ou proposital) no qual o sujeito "trapaceia" e toma consciência de si mesmo e, como só podemos ser conscientes daquilo que está fora de nós, ocorre uma ruptura, uma divisão da consciência em duas: uma que conhece e uma que é conhecida.
Daí vem a sensação de estar fora de si mesmo, e o desespero vem com a sensação de irrealidade pois neste momentos percebemos o quanto infundada e sem sentido é nossa mente e consciência. É como abrir as portas da percepção e ver como somos feitos de nada e o quanto estamos afundados em abstrações. De fato, neste momento percebemos que nada é concreto, nem espaço nem tempo, nem nada de nada.
É claro que no momento em que ocorre eu não tenho a capacidade de analisar tudo isso, já que a minha preocupação maior é a de voltar ao normal e perder toda essa consciência maldita. Toda esta analise vem depois quando penso sobre o ocorrido.
É a última saída da caverna rumo ao "deserto do real".

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre a Memória e os Perigos das Dimensões Ocultas

Pouco pensamos na memória, e pouco é necessário antes que fiquemos perplexos.
Vejamos as coisas do seguinte modo: tudo nesta existência acontece (está acontecendo) simultâneamente. Aquilo que chamamos de passado são apenas informações no cérebro, o futuro podemos apenas imaginar e o presente é um espaço de tempo infinitamente pequeno entre estes dois, ou seja, também inexistente.
"Tempo", então, consiste em algo que não existe separando duas outras coisas que não existem. É portanto, inexistente.
De onde surge a ilusão de tempo?
A memória produz esta ilusão em nossa mente, fazendo nos acreditar que as coisas acontecem uma depois da outra. É uma maneira de organizar os acontecimentos do universo em nossa mente.
É uma coisa cósmica.
É muito difícil, talvez impossível para nós imaginar um universo sem tempo e o seguinte pensamento pode nos vir à cabeça: uma coisa cuja existência não tem duração nenhuma, isto é, zero, é para nós uma coisa que nunca existiu.
A noção de espaço e das três dimensões nos são fornecida pelos cinco sentidos, já a noção desta quarta dimensão chamada "tempo" nos é proporcionada pela memória que poderia então ser descrita como um sexto sentido através do qual sentimos a quarta dimensão.

Imagine se uma pessoa nasce com uma má formação no cérebro: ela não possui memória.
Do ponto de vista desta pessoa a sua própria existência "não existe", pois ela não sentiu nenhuma duração, nenhum tempo. Ela só pode existir do ponto de vista das outras pessoas que conseguem perceber uma dimensão que ela não consegue. Ela sequer tomaria consciência disso que chamamos de tempo.
Seu corpo reagiria aos estímulos de dor, frio, etc, mas essa pessoa não teria evolução em sua mente, não acumularia nenhuma informação em sua mente que ela pudesse chamar de passado. Seu corpo estaria à mercê de qualquer coisa que quisessem fazer com ela.
Esta pessoa teria mente?
...
O que nos leva à seguinte questão: e quanto às outras dimensões além do tempo que não podemos perceber?
Segundo os cientistas existem cerca de 10 ou 11 dimensões em nosso universo. Não é possível que hajam seres que percebam estas dimensões?
Para eles nós estamos vegetando.
Somos apenas marionetes em suas mãos.

dimensões


sábado, 20 de março de 2010

O Mundo Como Representação

Visão.
A luz bate num objeto e é refletida. Entra no olho e atinge o nervo ótico que a transforma em impulsos elétricos, ativando um conjunto de neurônios para formar a imagem no cérebro.
Em experiência num laboratório mostra-se um circulo a uma pessoa e um determinado padrão de neurônios é ativado, mostra-se um quadrado e um outro padrão é ativado. Assim, cada objeto mostrado ativa um diferente padrão de neurônios.
Depois de registrados os padrões no computador, pode-se induzir artificialmente a ativação dos neurônios e fazer com que a pessoa veja quadrados ou círculos mesmo que eles não existam (todos os sentidos funcionam com este princípio).
Registrando-se, então, muitos padrões e definindo quais neurônios funcionam em cada caso, poderíamos induzir no cérebro humano qualquer objeto imaginável (ou até mesmo objetos inimagináveis) e fazer a pessoa acreditar que aquilo realmente existe e, com número suficiente de dados, poderíamos não só fazer a pessoa ver, mas também ouvir e sentir coisas que "não existem".
É assim que funcionaria a Matrix.

O que concluímos disso é que não conhecemos nenhum objeto, mas apenas representações de coisas que nunca poderemos saber como realmente são.

E o que assusta mais e nos leva à loucura é o pensamento de que nunca poderemos saber se o mundo que as outras pessoas veem, ouvem e sentem é o mesmo que vemos, ouvimos e sentimos, isto é, nunca podemos saber como ocorre a representação na mente de outra pessoa.
É claro que se pode facilmente determinar que os neurônios ativados são os mesmos em todas as pessoas que veem um círculo, por exemplo e, mais fácil ainda, é perguntar para a pessoa "O que você vê?" e ela dirá: "Um círculo". Mas ao pensarmos mais profundamente, lembramos que, ao ver os neurônios em simulações no computador ou ouvir a pessoa da experiência dizendo: "Isto é um círculo.", devemos ter em mente que aquela imagem na tela e aquela voz assim como a própria pessoa não passam de representações em nossa mente e não as conhecemos realmente. Essas coisas podem, na verdade, ser totalmente diferentes ou podem mesmo não existir! Isto se deve ao seguinte, os cientistas sambem que o cérebro produz estas representações do mundo, mas para onde ele as manda ainda é um mistério. As imagens são poduzidas e se espalham pelo cérebro e em algum momento elas encontram a consciência, mas onde e como isso acontece, ninguém sabe.
Nosso cérebro nos engana tantas vezes quando sonhamos, por exemplo, ou quando temos alucinações causadas por drogas, quem nos garante que ele não nos engana o tempo todo nos escondendo algo ou mostrando mais do que realmente existe?
Deparamos-nos com a maior solidão possível de ser experimentada.
Pensamentos deste tipo têm seu lugar em manicômios e, nesse caso, não devido a loucura, mas a lucidez em excesso.

Certas culturas entendem a consciência como um sexto sentido, ou sentido interno.
Imagine que uma pessoa tenha seus sentidos desligados um a um numa experiência: primeiro olfato e o paladar, depois a audição, a visão e por fim o tato. Esta pessoa continuaria sentindo seu "eu"? Continuaria tendo consciência? Onde está esse “eu”? Seria apenas uma ilusão?
Muitas perguntas e poucas respostas.
A pessoa sem sentidos certamente perderia toda a noção do espaço, e somente poderia se situar, mesmo que com dificuldade, no tempo. Daí diz-se que a consciência só pode ser localizada no tempo, e nunca no espaço.
O mestre Schopenhauer defina o tempo assim: Cada momento só existe na medida em que aniquila o momento anterior para ser de novo rapidamente aniquilado pelo próximo.
Assim, o presente é um limite infinitamente pequeno (inexistente) entre passado e futuro e estes, por sua vez, não têm existência em si. Então o tempo se resume a uma coisa que não existe separando duas outras coisas que não existem...
A ilusão de tempo é causada pela memória que organiza as coisas numa certa ordem, e é somente dela que vem essa noção (ilusão).

Nada é realmente como nós pensamos que é.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O que somos?

Seria possível que existisse o universo sem que houvesse ninguém para vê-lo? Isto é, se nenhuma forma de vida estivesse aqui para ter consciência da matéria, do espaço e do tempo?
E o contrário? Seria possível que existisse uma consciência sem que houvesse um universo do qual ser consciente? Sem um mundo e sem um corpo, a consciência ainda teria consciência de si mesma? Seria uma consciência da consciência da consciência da consciência...
A quem diga que ambas situações são, impossíveis, e que o mundo só exista se um sujeito puder ter consciência dele, e que este sujeito só existe se puder ter consciência de algo.

Quanto à consciência:

Observando simples evidências, observamos que a consciência está diretamente relacionada à matéria.
Por exemplo, um dano na cabeça, ou uma droga afetam muito eficientemente a consciência ao causar alterações no cérebro que nada mais é do que matéria. Assim a consciência nada tem a ver com uma alma imaterial (se é que existe tal coisa. Se existir, não tem nenhuma consciência, por isso não a sentimos no corpo, pois só podemos sentir matéria).
A consciência está, portanto, no cérebro, condicionada a todas as leis da matéria do espaço e do tempo.

(É claro que tem várias coisas que não conhecemos, como outras dimensões e tantas coisa que nem podemos imaginar que poderiam explicar nossas almas, mas tentarei me manter no campo do conhecido.)

A consciência nasceu no universo e faz parte dele assim como qualquer pedra ou qualquer reação química.
Nosso corpo é feito de bilhões de outros corpos. Nosso ser é feito de bilhões de outros seres. Eles se juntam num sistema complexo para formar nossas consciências, nossas existências. Somos feitos com pedaços do universo, somos a vida e a consciência dele.
Nós somos o universo.

Do mesmo modo que cada neurônio do cérebro (cada um é um ser vivo), com suas funções básicas, se unem e se comunicam formando um complexo vasto que é mente e a consciência humana, cada ser humano se une e se comunica formando uma macro-consciência, e eis que o planeta Terra é um imenso cérebro.
No início da vida havia apenas seres unicelulares, que, com as mutações da evolução, vieram a se agrupar em seres mais complexos sucessivamente, e hoje os somos a união de vários seres microscópicos. Quando penso que sou apenas um ser, estou totalmente enganado, pois sou na verdade trilhões de seres. São os indivíduos unindo-se num sistema para formar um novo indivíduo muito mais complexo que é cada um de nós. E, do mesmo modo, nos unimos formando o imenso ser que é a biosfera da terra.
E a cadeia continua infinitamente enquanto existir vida.
O todo contido na parte.

Nós somos o início da tomada de consciência do universo. O que está acontecendo é isto: Ele quer existir, Ele quer pensar.
Imagine que você é uma pessoa sem consciência de si mesma. Você não existiria, a não ser, é claro, para as pessoas fora de você, mas para si mesmo, não existiria. O mesmo ocorre com o cosmos, mas agora (com o surgimento da vida) ele está adquirindo consciência de sua própria existência.
Nosso planeta é só o início. Nossa missão, como partículas da Grande Consciência é nos espalharmos pelas galáxias levando a consciência a cada canto obscuro e vazio, tornando-nos cada vez mais unos e mais conscientes de nós mesmos.
Somos um com o Universo, pois nós o somos. Tudo e uma coisa só.
Esta é a razão de estar-mos aqui.
É isso o que somos.

Ps: Segundo cientistas, mais de 90% da matéria existente no universo é matéria escura, que é um tipo de matéria impossível de ser vista, e que seria algo que desse uma espécie de ordem na disposição da matéria normal e que preenchesse o universo inteiro. Como se fosse um suporte, ou coisa parecida.


Abaixo vai uma imagem de como a matéria escura dispõe a matéria no universo:














que é incrivelmente parecido com os neurônios em nossa cabeça abaixo:

quinta-feira, 4 de março de 2010

Schopenhauer

"Na infância, nos situamos frente ao futuro de nossa vida tal qual crianças frente à cortina do teatro, na alegre e tensa expectativa das coisa que virão. É uma sorte não sabermos o que efetivamente virá, pois para quem sabe, poderá. ás vezes, parecer que as crianças são delinquentes inocentes, condenadas não à morte, mas à vida , as quais ainda não ouviram o conteúdo de sua condenação. Não obstante, ainda assim, todos querem para si uma vida prolongada; por conseguinte aspiram a um estado em que a situação é: "Hoje está mal, amanhã será pior, até que sobrevenha o mal definitivo"."
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"É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista de fora e como é surda e obscura sentida de dentro."
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"Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida recebe corda novamente para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis."
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"Toda alegria é um erro, uma ilusão, já que nenhum desejo realizado pode nos satisfazer por tempo duradouro e, ainda, porque toda posse e alegria só podem ser concedidas pelo acaso, por tempo indeterminado, conseguintemente podem ser retiradas na hora seguinte. Todo sofrimento baseia-se no desaparecimento dessa ilusão. Alegria e dor nascem, portanto, de um erro. O sábio, no entanto, sempre permanece distante da alegria e da dor, e nenhum acontecimento o perturba."--A chamada "felicidade" é concebida erroneamente pela grande maioria das pessoas, que a veem como uma vida cheia de alegrias, quando na verdade, ela é uma vida equilibrada, não com o equilíbrio entre a quantidade de alegria e a quantidade de dor, mas com a ausência de ambos.
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"Falta muito para que a razão corretamente empregada possa livrar-nos de todo fardo e sofrimento da vida e conduzir-nos à bem-aventurança. O que encontramos ainda é uma completa contradição em se querer viver sem sofrer." (...)
"O estoicismo inclui em seu preceito para uma vida feliz uma recomendação de suicídio, sendo esta a única corrente de pensamentos que o faz, já que todas as outras pregam a virtude mesmo perante o maior dos sofrimentos, e não querem que , para escapar dele. o ser humano atente contra a vida; contudo, nenhuma delas conseguiu expressar o fundamento verdadeiro da rejeição do suicídio, mas apenas colecionam de maneira laboriosa fundamentos ilusórios de todo tipo."(...)
"Assim como entre os déspotas orientais também encontramos entre seus valiosos ornamentos e objetos um precioso frasco de veneno, para o caso de os sofrimentos do corpo, impossíveis de ser filosoficamente eliminados, serem tão intensos e incuráveis que o seu fim único, a bem-aventurança, é obstado e nada resta para escapar ao sofrimento senão a morte, que, como qualquer outro medicamento pode ser tomado com indiferença."

Schopenhauer 1788-1860

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Sonho

Perguntemos-nos: Qual é a diferença entre o sonho e a realidade.

É claro, o sonho não tem a consistência que há no "estar-desperto". Porém, só podemos dizer que o sonho é inconsistente, pois temos um mundo mais consistente com o qual compará-lo, e só dizemos que este mundo é consistente pois temos um mundo menos consistente com o qual fazer a comparação.
Então, "ser real" não é algo absoluto. É mais correto dizer "mais real", pois só existe real em comparação ao falso, ou seja, o "menos real".
A diferença entre sonho e realidade se dá, então, no fato de que nesse, há um momento em que despertamos.
O único meio de sabermos que o sonho não é "real" é o fato de termos este outro mundo para fazer a comparação.

Será possível despertar neste nosso mundo, isto é, despertar estando-se desperto, e encontrar outro mundo que nos faria ver este daqui como tão falso quanto um sonho? Como seria uma pessoa assim desperta?
Imaginemos que uma pessoa nasce dormindo e vive sua vida inteira deste modo, sonhando o tempo todo.
Esta pessoa nunca terá este mundo que temos para dizer que o seu não é real, então o sonho é a sua realidade, e talvez, dentro de sua realidade, ela durma e tenha sonhos dentro dos sonhos, então ela dirá que seu mundo é real com tanta certeza quanto nós dizemos que o nosso o é.
E se acordarmos esta pessoa?
Você é uma pessoa assim, você vive num sonho, existe outro mundo para o qual você está dormindo. Para ver este mundo é preciso despertar deste sonho, e isto não é uma tarefa fácil.
Este texto é o próprio sonho tentando te alertar.
Tente provar o contrário, não para mim, afinal, sou apenas parte do sonho. Tente provar a si mesmo que você não está sonhando e que não existe um mundo "mais real" do que este.
É impossível, entretanto, que eu lhe prove que o que digo é verdade.
Tais pensamento conduzem à insanidade, e insanidade é despertar.
Tudo que se pode fazer é tentar despertar, pois se não o fizer, nunca se saberá se está sonhando.

Resumindo: Só podemos dizer este mundo é real porque existem outros mundos menos reais do que ele.
Então, este mundo só é mais real em comparação com um menos real
assim, nada impede que hajam outros mundos mais reais do que este.
Real e falso é relatividade.

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Nietzsche

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Niilismo Existencial

Por que existem as flores?
Ora, para que os insetos a polinizem. Os insetos a polinizam para que elas virem frutos. Elas virem frutos para proteger as sementes. As sementes existem para que novas árvores nasçam.
Errado!
As flores não existem para cumprir alguma missão de serem polinizadas e assim por diante. Não. Elas existem, e é só.
Não existe esta relação de finalidade das coisas, ou seja, nada existe com alguma missão ou por algum motivo. As coisas simplesmente existem, e é só.
A vida é nada além de um fato. Não estamos para fazer nada, isso de motivo é delírio de nossa razão que procura motivar tudo o que vê.
É claro que criamos as coisa para suprir alguma necessidade. Por exemplo, uma caneta existe com a finalidade de escrever. Ela existe para isso. Este é o motivo pela qual foi criada. Mas este motivo só existe em nossa concepção, em nossa mente, em nossa representação do mundo.

O ponto em que quero chegar é este:
Quanto esforço foi desprendido pelas maiores mentes da história de nossa humanidade na procura de uma razão pela qual somos, mas ainda hoje, depois de milhares de anos, ainda não se encontrou nada, e isto se dá por um motivo muito simples: é impossível encontrar algo onde não existe nada.
A frase" Estamos aqui por que..." Não tem fundamento. A única coisa certa é "Estamos aqui." e ponto final.
"Por que existo" é uma coisa e "para que existo" é outra.

Por que existo?
Porque bilhões, trilhões de pessoas se reproduziram e se reproduziram e se reproduziram através dos milênios até que, numa destas reproduções surgiu eu. Esta é a CAUSA.
Para que existo?
Nada!
Para que existiram estes tantos bilhões e trilhões se reproduzindo descontroladamente?
Nada!
Quando eu fui criado, haviam milhões de espermatozóides tentando fecundar o óvulo, mas só o meu conseguiu.
Por que eu?
Nada!
Eles existiram e eu existo e outros vão existir, e ponto final. Não há nada além disso.

A flor existe: fato.
Ela tem pólen: fato.
O inseto espalha o pólen: fato.
A flor vira semente e fruto: fato.
A semente gera outra planta: fato.

Não existe motivo. É tudo uma cadeia de acontecimentos, tudo causa e efeito, e isto é tudo. Não há razão em nada fora de nossas cabecinhas.
Nada!
Assim é fácil ver que não existe motivo: uma pedra caiu encima de outra (causa) e as duas se partiram (efeito).
Por que se racharam?
Porque uma uma caiu encima da outra.
Para que se racharam?
Nada!

E é isto, estamos aqui e vivemos pelo mesmo motivo que as pedras se racham: nenhum.
A essência de tudo é só causa e efeito (consequencia). Não há nada além.

As coisas simplesmente são, e é isto.

Aqui tem um texto muito inspirador sobre o Niilismo: http://ateus.net/artigos/filosofia/niilismo.php

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Devir

Daqui a cem anos (ou um pouco mais), é certo que todas as pessoas que estão vivas hoje estarão mortas, mas ainda assim existirão tantas, ou, como é bem provável, mais pessoas do que existem hoje.
Serão todas elas pessoas diferentes das de agora. Será outra humanidade completamente diferente que viverá no seu "presente" e o agora será "passado", como as águas do rio que passaram ontem, pois somos todos filhos do Devir.
E Ele é o mestre de tudo.

Sabemos que nada é eterno. Todas as coisas que surjem em nosso mundo são destruídas. Tudo que está sujeito a surjir está sujeito a cessar.

"Tudo que brilha se torna ferrugem;
tudo que está no tempo torna-se poeira."

Isto não é totalmente correto, pois, se pensamos que alguma coisa se quer surje, é porque nossa visão é limitada e vivemos num período tão pequeno no tempo quanto um inseto num jardim.
Lá vai a formiga pensando sobre como seu formigueiro já estava lá quando ela nasceu e ainda estará lá quando ela morrer. Não lhe passa pela mente que aquilo é só um buraco no chão, e que ele não dura depois da próxima chuva.

É fácil pensar que o que vemos nas nuvens são apenas formas que elas assumem ocasionalmente em seu movimento ininterrupto.
Mas é difícil pensar que o mesmo se da com tudo a nossa volta: o chão, o ar, a mesa, as árvores, o sofá, o próprio corpo.
Estes objetos são apenas formas temporárias e não existem a não ser na hora em que lhe damos um nome. São como rostos que se formam nas ondas dum rio.
Mesmo eu e você somos apenas uma forma temporária assumida pela matéria em seu movimento perpétuo.
E estas são as únicas coisas que existem: a Matéria e o Devir, pois o Devir é a matéria e a Matéria é o Devir.
Mesmo meu corpo como é agora não é o mesmo que era quando criança. Células morreram e outras nasceram a partir do que é assimilado e do que vem da terra e para ela voltará e meu corpo não é senão mais um escravo do Devir, Senhor do Universo.
Pois o Devir é o Movimento, a Mudança, o FLUXO, e esta é a essência de tudo o que existe.

"É impossível entrar num rio duas vezes, pois na segunda vez já não será o mesmo rio."

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A mais completa solidão já experimentada

Música

Certa manhã, acordo-me de sonhos inquietos e encontro-me deitado comigo mesmo.
Isso mesmo, literalmente, lá estou eu espantado olhando para mim mesmo bem do meu lado ainda dormindo. Terei morrido?
Me levanto desesperado e penso em gritar por ajuda, mas vejo que é inútil. Não há mais nada a se fazer depois que se está morto.
Mas espere.
O que vejo agora é ainda mais perturbador. Vejo o outro eu que dormia acordar e se levantar sem se dar conta de minha presença.
Percebo então que não estou morto, mas apenas saí de mim mesmo.
Que sonho estranho e terrível. Tento, mas não consigo acordar dele.
Vejo eu mesmo andando pela casa e não parece que nada lhe falta.
Eu grito e ninguém me ouve, tento mover as coisas, mas ninguém me vê.
Que tipo de demônio entra no quarto das pessoas e as separa de si mesmas?
Que coisa horrível, o que será e mim? Esta é a mais completa solidão já experimentada.
Terei eu simplesmente me aborrecido de mim e me livrado de mim mesmo? Quando isso aconteceu? Não me lembro!
Tenho todas as minhas memorias, e o outro eu também parece ter. Nada mudou em nós.
Talvez eu seja simplesmente ma cópia daquele que penso ser eu, mas nada tenho a não ser suas memórias.
Talvez eu nunca tenha existido antes deste momento.
Tudo que penso que só é apenas uma cópia daquele que vejo alí.
.
Passa-se o dia, passam-se as semanas os meses e os anos.
E lá estou eu e aqui estou eu.
Vivo todos estes anos como um fantasma seguindo a mim mesmo.
Durante algum tempo eu tentava aparecer nas fotos, ou tentava causar interferência na tv para que me vissem. Tudo em vão.
Eu nada podia fazer a não ser ver a mim mesmo vivendo sem nunca saber de minha existência, sem nunca sentir falta de mim.
Se eu não sou eu, então o que sou?
.
Bom agora, depois de tanto tempo, decidi abandonar aquele que costumava ser eu e partir para outro lugar, pois aquele já não é mais eu. Somos "pessoas" completamente diferentes agora.
Não é "eu", agora é "ele".
Me pergunto se continuarei assim depois que ele morrer.
Não importa, já não sinto mais nada. Meu espírito está se esvaindo e eu sei que algum dia vou simplesmente desaparecer.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Como somos feitos de nada

Toda consciência é consciência de alguma coisa.
Tenho consciência do que faço, do que vejo, do que sinto, do que penso...
Posiciono-me fora de algo para poder "ver" este algo e saber que ele está lá e é diferente de mim.
Porém, tenho consciência de mim mesmo, isto é, a consciência é ciente de si mesma.
Mas nós não sentimos esta consciência o tempo todo do mesmo modo que não sentimos a roupa em nosso corpo o tempo todo, embora ela esteja lá. Só percebemos prestarmos atenção.
Porém é mais difícil perceber a consciência da conciência. E é uma experiência aterradora.
O que acontece é que a consciência sai de si para reconhecer a si mesma como algo fora dela, e a sensação é de que se está observando a si mesmo fora de si. E então percebe-se que a mente não tem fundações e o "eu" é nada.
Somos feitos de nada.
.
A percepção vaga deste nada, porém, é inerente de todos nós, e por isso estamos continuamente tentando encontrar bases para nós mesmos, e daí vem a angustia de nunca conseguir encontrar uma base.
O ser humano é uma criatura sem lar.
.
Somos escravos disso. Tentando inutilmente preencher o Nada a cada dia, cada hora, cada segundo, cada respiração, cada movimento e pensamento.
Mas não se pode preencher o Nada. Nunca chegaremos a lugar nenhum.
Desistamos.
.
(Sartre, Hegel, Husserl, Heidegger)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quem sou? Onde Estou?

Sempre à noite quando tento dormir, eu fico tentando parar de pensar.
(Tenho certeza que não sou o único.)
Noite passada, eu estava tendo pouco êxito em silenciar meus pensamentos, e como sempre, eles voltavam a todo momento.
Percebi que eu estava mandando uma parte de mim parar de pensar, mas esta parte queria continuar pensando e literalmente desobedecia às ordens desta outra parte que queria parar de pensar.
Ficou extremamente claro parar mim que eu não estou sozinho dentro de minha mente. Há uma grande variedade de pedaços que agem de variadas formas e entram em conflito entre si. Naquela noite eu concentrei-me e prestei bastante atenção e realmente vi que tem muitos dentro de mim, e em certo momento tive muito medo, pois não conseguia me achar no meio daquilo tudo. Será que eu sou só um desses pedaços, ou será que eu sou a junção de todos? Ou talvez tenha um escondido lá no fundo que seja o "eu" de verdade.
Será que estou aqui dentro mesmo?
Eu estou me sentindo aqui. Eu sinto a vida em si. Sinto minha própria vida.
"Eu penso, logo existo."
Mas será que sou eu mesmo que penso? Será?
Até onde tenho controle sobre minha mente?
É inútil que eu tente me controlar de qualquer forma, afinal, sou a soma de muitos, e nem faço ideia de qual deles possui algum controle, se é que algum deles o possui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As Luzes. Oh as Luzes!

Nada se compara à abundância de nossos dias sobre a luz da imensa criadora de nosso ser.
Ao menos por esta passagem instável que temos.
Subtamente nos vemos caindo no precipício de luz e escuridão que é o fim de nossa matéria e início de algo. Talvez sim, talvez não.
Podemos fazer nada. Temos nada em nossas mãos. Somos ratos correndo em círculos numa roda até que esta se enferruje e quebre. Então não podemos nada. Não temos nada e não somos nada.
Os verdes tornam-se escuros propósitos de caminhos misteriosos e coesões duvidosas. Não temos nada.
Borbulhantes são os caldeirões subterrâneos que existem sempre e sempre existem.
Nem nos damos conta.
São os senhores e não têm vida. Nós somos seus pensamentos, e lhe damos existência.
Oh preciosa Existência!
Podemos ver por onde quisermos, mas não queremos ver por onde devemos. Somos ratos correndo numa roda.
Ratos correndo numa roda.
Luzes passam sobre nossas cabeças, e os ventos escuros as levam para longe. Os ventos que sopramos com nossos pulmões poluídos e nossos estômagos cheios.
E nos enchemos até explodir. O vento leva as luzes embora para sempre. Para sempre.
E caímos na terra, e nos tornamos vermes no escuro.
As luzes foram embora para nunca mais voltar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Eu não sou quem penso

Quando nasci, eu não tinha qualquer consciência de meu corpo, ou do mundo. Meus olhos estavam fechados, e eu era puro. Uma alma inocente num corpo que acaba de chegar ao mundo.
À medida que o tempo passa, vou tomando consciência das coisas ao redor e de meu próprio corpo. Meus olhos abrem e meu cérebro começa a construir uma ideia do mundo. Ele está construindo um muro ao redor de minha alma pura. Este muro é chamado de ego, e ao longo de minha vida, ele esconde minha alma por completo.
E a construção continua quando começo a entender os sentimentos da mamãe e do papai. Eles ficam felizes quando faço certas coisas e triste quando faço outras coisas, então meu ego pega estas informações e se adapta a elas. É como se ele fosse um espelho que fizesse dentro do meu cérebro uma imagem abstrata do que vejo.
Esta construção continua por toda minha vida. Quando entro na sociedade, meu ego começa a se adaptar refletindo as ideias que as pessoas demonstram sobre mim. Se as ideias são ruins, meu ego fica abalado e me causa sofrimento, por não conseguir adaptar-se. O objetivo instintivo principal é o de se adaptar à sociedade.
Então o ego é a causa de todo meu sofrimento e angústia. Se olharmos fundo em nossos sentimentos vamos perceber que este ego é a causa de todas as nossas alegrias e tristezas, enquanto nosso verdadeiro "eu", nossa alma pura, continua lá dentro escondida enterrando-se cada vez mais no ego.
Então, crucifique o ego. Encontre sua alma, o seu início. Encontre você mesmo. Isso que pensamos ser, e´uma ilusão.
Mas cuidado, pois destruir o ego de uma vez, nos leva ao pânico, pois é como morrer. Mas se seguimos no caminho, atravessando o medo, encontraremos nossa alma.

No fim das contas, todas as religiões ensinam a mesma lição, mas cada uma com uma metáfora mais exagerada que a outra.

(Inspirado num trecho extraído do livro "Além das Fronteiras da Mente" e inspirado em experiência e reflexão pessoais)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Abdicação

A lacrimologia é uma filosofia que ensina que é possível alcançar estados mais elevados de espírito atravez da dor física e mental.
Destruindo o apego que temos com nosso corpo, estamos destruíndo nosso maior elo de ligação com este mundo pois grande parte do medo da morte, é o medo da perda ou da destruição do corpo.

Mas o corpo é matéria, e não importa o quanto gritamos e esperneamos, um dia ele acaba e raramente se está preparado.
Ora, a mente também é mortal, e a outra parte do medo da morte, é o medo de perder a mente, ou seja, deixar de existir.
Livrando-se do apego a nossa mente, estamos livrando-nos de grande parte do medo da morte também.
(As fotos ao lado mostram Thich Quang Duc, um monge budista vietnamita que se queimou até a morte numa rua junho de 1963 em protesto contra a maneira que a sociedade oprimia a religião Budista em seu país. Ele se livrou do apego ao corpo e mente e só assim pode destruir a si próprio sem sofrimento.)

Para livrar-nos do medo e do sofrimento, basta que nos livremos de nós mesmos e aceitemos nossa natureza mortal e que não importa o quanto achamos injusto, a única coisa certa é que vamos todos morrer.
Então é melhor se preparar.










Aqui vai um vídeo da banda Tool.
Esta música, assim como várias outras da banda, trata da lacrimologia.



"Este corpo me segurando lembra-me de minha própria mortalidade.
Acolha este momento e lembre-se:
Somos eternos. Toda essa dor é ilusão."

sábado, 17 de outubro de 2009


O universo é totalmente impessoal, e nada nunca foi e nunca va ser do jeito que queremos.
Talvez, a única coisa que possamos controlar seja nossa própria mente.
Portanto, a unica maneira de escapar da constante insatisfação inerente à própria vida, é deixando nossas vontades de lado.
Livrando-se do desejo, livramo-nos da insatisfação e do sofrimento.
Devemos parar de nos matar tentando mudar o mundo. Basta que mudemos a nós mesmos, e o mundo mudará em consequencia.
Não só dos desejos, mas devemos nos livrar de tudo que temos, seja material ou não. Inclusive nós mesmos.

"O homem que não tem nada é invencível."

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O Cachorro Verde

Música

Noite dessas enquanto dormia passei por um cachorro verde e, tomando consciência de que era um sonho, parei e falei com ele:
"Espere um pouco, quero conversar com você."
Ele me olhou no olho.
Eu disse:
"Eu nunca pensei num cachorro verde, e certamente não estava pensando até ver um. Isso aqui é mesmo minha mente? Certamente não fui eu que inventei isso, então como pode estar aqui? Você existe de verdade?"
Ele se sentou e disse:
"Claro que existo, embora não possa provar. Mas eu sei que existo. Eu penso."
Agora ele estava me dizendo que pensa.
É claro que eu não preciso acreditar. Não acredito no que me dizem nem quando estou acordado.
Me agachei a sua frente para ouvi-lo com atenção. Ele dizia:
"...não sei de onde venho. Surgi há tão pouco tempo com tantos pensamentos que não criei, mas foram colocados em mim. Não sou dono de nenhum deles.
Em verdade nasci com o único propósito de ter esta conversa. Cada palavra que vamos dizer já está programada. Você pode pensar que suas perguntas vêem de sua vontade, mas faz parte do sonho que você pense que tem livre vontade.
Você está sonhando que tem vontade."
"Como você sabe essas coisas? Eu nuca pensei nisso. Como você pode ser criação minha e falar coisas que eu não sei? Isto é fantástico, é como se você realmente tivesse uma existência independente de minha mente!"
"Não sou criação sua.", disse ele. "A mente não é sua. "
"Você faz parte da d'Ela assim como eu e é impossível determinar onde eu termino e você começa. Pensa que controla a mente pois tem uma pequena parcela de consciência e ilusão de vontade.
Quando eu disse que você está "sonhando que tem vontade", eu não me referia somente ao aqui e agora, me referia ao lá fora também, quando a Mente está acordada para o outro mundo. Lá você faz o mesmo papel que eu faço aqui, e a cada vez que ela acorda, você é uma personalidade completamente diferente de quando ela foi dormir mas você nunca será capaz de perceber isto. Eu mesmo só sei porque já nasci com estes pensamentos. Sei que depois que a mente acordar e dormir de novo, eu não existirei mais.
Ela é muito mais complexa do que podemos imaginar. Você perdeu essa sabedoria pois fica a maior parte do tempo olhando para fora, mas não há diferença fundamental entre nós. Somos apenas pedaços da Mente."
Ele mostrou um olhar triste com essas palavras: é o preço da sabedoria.
"O que acontecerá com você quando Ela acordar meu amigo?"
"Vou morrer."
Sua tristeza era minha agora.
Perguntei:
"Mas nos encontraremos novamente no próximo sono certo?"
"Não.
Eu serei dissolvido e misturado com as memórias. Assim, talvez num outro sonho, algumas partes minhas renasçam em outra personalidade que você pode encontrar ou não por aí, mas eu nunca mais existirei. Meus pensamentos, tudo que tenho, serão perdido para sempre.
Só existo mesmo neste momento."

O frio da noite no mundo de fora penetrou no sono.
Uma canção me veio à lembrança.
O cachorro verde desaparecia sendo absorvido pela mente que se preparava para acordar.
Me pediu:
"Cante-me uma canção;
uma canção para me aquecer.
Está tão frio,
tão frio..."

Adeus, amigo.

O que acontece quando eu acordo?
Você morre.
O que acontece que eu morro?
Você acorda.



Já se perguntou "Quem sou eu?" com tanta força que encoutrou a si mesmo e descobriu que não existe? Eu já.
Foi difícil voltar.
Eu devia ter morrido lá, livre de mim mesmo.
Seria muito mais fácil.
Mas o eu não suporta o não-eu. O eu não suporta a morte e, mesmo que não faça diferença, eu faria de tudo para permanecer vivo, embora saiba que a morte seja mais natural.

"Esse corpo me segurando lembra-me de minha própria mortalidade.
Acolha este momento e lembre-se:
Somos todos eternos, toda essa dor é uma ilusão."

Viver não passa de evitar a morte a cada dia até que seja inevitável.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Vida e mente de uma calculadora

Imagino uma formiga.
Como é a mente da formiga?
Ela procura comida por aí e quando acha, pega e leva pra casa para depois voltar e procurar mais. Se ela tem uma mente, lá dentro só há espaço para procurar a comida e quando achá-la levar embora. Seu cérebro recebe e informação "comida boa" e dá a ordem "levar embora".
Como é a mente da calculadora de bolso?
Ela espera que alguém lhe dê numeros e ordens e quando ou recebe, ela pega faz os calculos e devolve o resultado. Como negar que a calculadora tem uma mente tão boa quanto à da formiga e que tem a sua própria vida?
A calculadora não vê nosso mundo, e a sua mente existe numa certa dimensão.
Nesta dimensão os números aparecem continuamente junto com ordens superiores, e a calculadora executa essas ordens e devolve os resultados, nunca se questionando de onde vem tudo isso.
E não caberia em sua mente tamanha complexidade e estranheza que encontraria em nossa dimensão. Seus sentidos nem sequer poderiam receber as informações para formar a ideia do que é nosso mundo de tão simples e restritos que são.

É simples a vida e a mente da calculadora. Ela vive sem livre arbítrio, sem ilusões, sem sentimentos e com grande certeza de seus deveres. Seus deuses a fizeram bem.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Filhos das estrelas


A matéria que compõe nosso corpo existe desde o Início.
Um átomo qualquer na pota de um fio de cabelo meu pode ter sido parte do coração de um dinossauro, ou um pedaço de um planeta que explodiu a muito tempo. Pode ter vindo atirado de uma estrelaa e caiu aqui ou pode ter feito parte das primeiras gotas de agua que cairam sobre a Terra.
Imagine que cada átomo de nosso corpo está neste universo a tanto tempo e cada um deles veio de um lugar diferente. E todos eles se juntam neste momento para formar você e eu. Isso é o mais perto que consigo chegar da idéia de infinito.
Mesmo enquanto vivos, perdemos e ganhamos muita matéria. Nós trocamos de corpo várias vezes durante a vida e ganhamos novas memórias e perdemos outras.
Por que então eu continuo sentindo que sou eu mesmo, se é tão obvio que não sou hoje a mesma pessoa que era ontem? Será que tenho alma?
Nosso espírito não é nada. Ele existe só pelo breve espaço de tempo em que nosso corpo está vivo e consegue organizar a energia para se manter. Já nossa carne é eterna. Sempre existiu e sempre existirá.
Nós somos a consciência do universo. Surjimos da necessidade que ele tem de existir. Assim como cada neurônio em nosso cérebro junta-se aos outros e forma nossa mente, nós juntos formamos a mente do cosmos.
Talvez estejamos apenas no começo da formação desa mente, e estejamos destinados a nos espalhar e a aumentar infinitamente os pensamentos. Ou talvez sejamos apenas um ponto isolado na imensa mente de nosso universo que pode já existir a muito mais tempo do que seja possível imaginar.