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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Eu, a Mente

Qual é a relação entre a matéria e a mente?
Ainda hoje não se sabe a localização da consciência no corpo. É como se ela não estivesse em lugar algum, isto é, nós não estamos em lugar algum.
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Eu sou uma mente e não posso ser situada em nenhum lugar no Espaço (somente no Tempo) embora meu único meio de comunicação com as outras mentes é através deste Espaço, Tempo e matéria.
Cada um de nós é uma mente isolada das outras. Nunca podemos realmente transmitir uma ideia, um pensamento ou um sentimentos, mas apenas sinais de linguagem e padrões para que as outras mentes interpretem e assim reproduzam replicas destas ideias, pensamentos e sentimentos em seu entendimento. Fazemos o possível para que estas interpretações sejam o mais fieis possíveis ao original, mas no fim são outras ideias em outras mentes. Meras interpretações, meras representações.
Nunca poderemos realmente conhecer uns aos outros. Tudo que temos são estas interpretações, estas réplicas. Nunca conheceremos a "coisa em si".
Somos apenas mentes recebendo sinais e produzindo réplicas umas das outras, interpretando umas às outras, e nunca realmente nos conhecendo.
Uma pessoa que "conheço" é apenas uma interpretação armazenada em meu entendimento.
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Cada consciência é uma ilha ligada às outras através desta realidade que é nosso meio de comunicação, e nós somos Aqueles-que-Conhecem-e-que-Nunca-Podem-Ser-Conhecidos.
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"A mente é uma coisa estranha e maravilhosa. Não sei se ela será capaz de desvendar a si mesma. Todo o resto talvez: desde o átomo até o universo. Tudo, exceto a si mesma."
Trecho do filme "Invasion of the Body Snatchers- Os Invasores de Corpos"

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Despersonalização (Dormência Mental)

Em psicologia e psiquiatria, a despersonalização é entendida como "uma desordem dissociativa caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, de ruptura com a personalidade, processos amnésicos e apatia."
É um estado no qual a pessoa tem a sensação de estar "fora de si" como se estivesse em algum outro lugar controlando à distancia seu corpo e sua mente como um boneco.
É este estado que chamo de Dormência Mental, e acontece quando "tomamos consciência de nossa consciência".
Explico:
nosso mundo é dividido em objeto e sujeito: Objeto é tudo aquilo que podemos conhecer, isto é, as coisas das quais podemos ter consciência(coisas, pensamentos, espaço, tempo, sons, etc). Sujeito é aquele que conhece as coisas mas que nunca pode ser conhecido, é aquele que tem consciência daquilo que está "fora", do objeto, do universo.
O fato de dizermos "eu conheço tal pessoa" não significa que conhecemos aquele sujeito, pois este não pode ser encontrado, é o "eu" da pessoa, a consciência que só pode ser localizada no tempo e nunca no espaço. Apenas o sujeito pode ter uma leve ideia de si mesmo.
O que ocorre na despersonalização é um fenômeno (acidental ou proposital) no qual o sujeito "trapaceia" e toma consciência de si mesmo e, como só podemos ser conscientes daquilo que está fora de nós, ocorre uma ruptura, uma divisão da consciência em duas: uma que conhece e uma que é conhecida.
Daí vem a sensação de estar fora de si mesmo, e o desespero vem com a sensação de irrealidade pois neste momentos percebemos o quanto infundada e sem sentido é nossa mente e consciência. É como abrir as portas da percepção e ver como somos feitos de nada e o quanto estamos afundados em abstrações. De fato, neste momento percebemos que nada é concreto, nem espaço nem tempo, nem nada de nada.
É claro que no momento em que ocorre eu não tenho a capacidade de analisar tudo isso, já que a minha preocupação maior é a de voltar ao normal e perder toda essa consciência maldita. Toda esta analise vem depois quando penso sobre o ocorrido.
É a última saída da caverna rumo ao "deserto do real".

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre a Memória e os Perigos das Dimensões Ocultas

Pouco pensamos na memória, e pouco é necessário antes que fiquemos perplexos.
Vejamos as coisas do seguinte modo: tudo nesta existência acontece (está acontecendo) simultâneamente. Aquilo que chamamos de passado são apenas informações no cérebro, o futuro podemos apenas imaginar e o presente é um espaço de tempo infinitamente pequeno entre estes dois, ou seja, também inexistente.
"Tempo", então, consiste em algo que não existe separando duas outras coisas que não existem. É portanto, inexistente.
De onde surge a ilusão de tempo?
A memória produz esta ilusão em nossa mente, fazendo nos acreditar que as coisas acontecem uma depois da outra. É uma maneira de organizar os acontecimentos do universo em nossa mente.
É uma coisa cósmica.
É muito difícil, talvez impossível para nós imaginar um universo sem tempo e o seguinte pensamento pode nos vir à cabeça: uma coisa cuja existência não tem duração nenhuma, isto é, zero, é para nós uma coisa que nunca existiu.
A noção de espaço e das três dimensões nos são fornecida pelos cinco sentidos, já a noção desta quarta dimensão chamada "tempo" nos é proporcionada pela memória que poderia então ser descrita como um sexto sentido através do qual sentimos a quarta dimensão.

Imagine se uma pessoa nasce com uma má formação no cérebro: ela não possui memória.
Do ponto de vista desta pessoa a sua própria existência "não existe", pois ela não sentiu nenhuma duração, nenhum tempo. Ela só pode existir do ponto de vista das outras pessoas que conseguem perceber uma dimensão que ela não consegue. Ela sequer tomaria consciência disso que chamamos de tempo.
Seu corpo reagiria aos estímulos de dor, frio, etc, mas essa pessoa não teria evolução em sua mente, não acumularia nenhuma informação em sua mente que ela pudesse chamar de passado. Seu corpo estaria à mercê de qualquer coisa que quisessem fazer com ela.
Esta pessoa teria mente?
...
O que nos leva à seguinte questão: e quanto às outras dimensões além do tempo que não podemos perceber?
Segundo os cientistas existem cerca de 10 ou 11 dimensões em nosso universo. Não é possível que hajam seres que percebam estas dimensões?
Para eles nós estamos vegetando.
Somos apenas marionetes em suas mãos.

dimensões


sábado, 15 de maio de 2010

Desgraçados

"Desgraçados" é uma obra ímpar de Lourenço Mutarelli.
Aqui eu transcrevo um trecho que significa muito para mim:

"...não foram apenas lindas poesias e boas piadas que aprendi neste sanatório. É engraçado, mas eu levei muito tempo para perceber que estava num hospital psiquiátrico (...), uma espécie de prisão onde se detinham pessoas que ainda possuíam sensibilidade.
Para esse mundo, sensibilidade não é qualidade ou característica, é sintoma.
Lá fora vagam os mortos-vivos, aqui dentro estão detidos aqueles que por algum motivo perceberam o absurdo deste sistema estabelecido numa convenção estúpida, castradora, cruel e patética.
Mas mesmo assim a sensibilidade retida neste manicômio é temporária em um breve tempo, todos que aqui chegam são neutralizados bombardeados por psicotrópicos...hipnóticos...tranquilizantes...
'As trágicas fileiras de escravos das drogas se espicham a perder de vista pelos vales desta humanidade cada vez menos humana e sempre mais psicodélica, vazia, enfastiada, inconsequente e mesmificada no sofrimento neurótico e psíquico.' dirá Hermógenes. Tornando-se assim pessoas normais...equilibradas...nem mais nem menos...o meio...o comum... o igual. Mas já disse o poeta que a natureza não faz nada igual. 'Não existem dois flocos de neve iguais.' Mas não importa, eles querem igualar, afinal 'Todos são iguais perante Deus.'.
Mesmo assim, ainda existem aqueles que são mais resistentes, aqueles que são tão convictos de suas verdades e de seus ideais, que tornam-se indestrutíveis. É sobre estas pessoas que falo agora. Pessoas únicas, ímpares. Pessoas que conheci neste sanatório. Figuras dotadas de uma força inimaginável, e quando digo força, não me refiro à força física, tão cultuada pelos estúpidos. Não me refiro a nenhum tipo de força destrutiva, pois estas pessoas a quem me refiro sabem que ser forte não é poder destruir, mas saber construir."
(...)
"Na última sessão de terapia perguntei ao Dr. se eu era um homem louco. Rindo ele respondeu:'A única coisa que nos torna diferentes é que eu possuo a chave do portão'.".

sábado, 8 de maio de 2010

Sobre a Liberdade, a Sociedade, o Sofrimento e a Morte

Ao nascer, o homem, assim como todos os animais, é acorrentado num complexo sistema de instintos e vontades dos quais será escravo pelo resto da vida. Porém, ele é o único animal ao qual é dada a capacidade de escapar destas prisões, a capacidade de escapar do medo, da vontade irracional e insaciável. A capacidade de se livrar das correntes da necessidade de sobrevivência e do sofrimento e de se tornar dono de si mesmo através da mente racional.
Mas acontece exatamente o contrário: nossos medos, angústias, nossa insaciedade e nosso sofrimento são muito maiores e mais intensos do que na vida dos irracionais.

Há quem diga que o homem é livre, mas a verdade é que o nós, com toda nossa sabedoria, fazemos o oposto de nos libertar. Nós criamos este mundo de faz de conta que é a sociedade, onde nossas mentes são aprisionadas e manipuladas e onde todo nosso discernimento é iludido por coisas abstratas e imaginárias. Nos tornamos totalmente alheios a nós mesmos escravizados por estas mentiras nas quais somos todos obrigados a acreditar. Elas representam o fracasso do homem.
Fracassamos em superar animal. Eramos os únicos capazes de sair do abismo animalesco da vontade cega e de alcançar algo além, mas nos satisfazemos em simplesmente fingir que somos donos das coisas.

E o maior erro que cometemos é a maneira como lidamos com a morte, pois ela é o que mais causa sofrimento em nossa espécie desde os tempos remotos quando começamos a pensar. Isto porque somos os únicos animais neste mundo que sabemos que um dia vamos morrer e ao mesmo tempo somos os únicos que nos apegamos. Somos os únicos que temos a ilusão de posse e nosso medo é elevado ao máximo por causa disso. Em nossos pensamentos transformamos a morte na coisa mais terrível de todas que nos tirará tudo aquilo que temos e amamos.
Como podemos ter tanto domínio sobre o mundo ao nosso redor e não termos o mínimo domínio sobre nós mesmos e nosso sentimentos?
Fazemos novamente o oposto do que a razão dita: nos esforçamos ao máximo para ignorar a morte e tentamos desesperadamente esquecê-la. Temos medo de sequer pensar nela. Nos agarramos com todas às forças àquilo que nunca foi e que nunca será nosso: a vida.

A vida inteira deveria ser uma preparação para a morte. Uma coisa tão certa assim nunca poderia pegar de surpresa seres ditos racionais.
Para que gastar toda nossa trabalhando, nos reproduzindo, lutando, comprando coisas se um dia tudo vai acabar e nada será realmente nosso? Não deveríamos nos apegar a nada nem a ninguém. A morte vai tirar tudo inevitavelmente mais cedo ou mais tarde.

Novamente vem o fracasso humano para nos cegar impedindo que vejamos a verdade: este tipo de ideia sobre a morte não é bem visto pela sociedade pois ela manipula o pensamento para impedir que o homem quebre as correntes animalescas e se liberte do medo e do sofrimento. Ela nos ilude e cria fórmulas para que nos tornemos "felizes" do jeito que ela quer. Inventa metas imaginárias e nos convence de que são nossas para que as persigamos até o fim sem conhecer a verdadeira intenção de tudo isso que é alimentar essa máquina monstruosa.

A sociedade não eleva o homem a um patamar superior ao dos animais, ela o rebaixa ao mesmo nível deles envenenando em nós aquilo que permite que sejamos donos de nós mesmos. Ela nos aprisiona com ilusões e enfeita a vida com carros bonitos e mulheres fabricadas até que não possamos sequer saber que estamos encarcerados. Nos tornamos animais de rebanho, meras engrenagens do Sistema e trabalhamos até que estejamos velhos e cansados e então somos descartados.
As escolhas que temos são semelhantes à do rato num labirinto que pode escolher se vai para a esquerda ou para a direita. Caímos na rotina animalesca de acordar, lutar pela sobrevivência, pela reprodução e contra a morte.

Não há prova maior de que o homem pode ser livre do que quando ele chega ao momento da morte com serenidade. Não maior prova de libertação do que essa, e é por isso que a sociedade abomina o suicídio: ele representa a máxima liberdade que temos.
Aceitando a morte não venderíamos nossa vida em busca de algum objetivo qualquer que nos impusessem.

A Sociedade estimula perversamente os medos e vontades em nossa mente nos impedindo de evoluir pois quando esquecemos que vamos morrer nós nos apegamos e somos facilmente manipulados.
Somos meras ovelhas. Nunca poderemos ser realmente livres enquanto nossa mente estiver presa e enquanto formos obrigados a ser animais.


sábado, 17 de abril de 2010

Máquina

A Sombra da Máquina se estende pelo campo, atravessa as colinas e toca minha alma.
Seu som é como os gritos de bilhões de espíritos sendo quebrados, pois ela se alimenta de crianças.
Sim, ela quebra seus espíritos e usa seus corpos na produção de seu combustível hediondo.
Eu quero correr, quero fugir, mas não consigo. Já corri o mais longe que pude.
Estou cansado.
Só há uma saída agora. Uma única saída!
Mas o preço é muito alto, eu não posso pagar. Ainda não.
E enquanto estou sentado no verde gramado sob a sombra terrível da Máquina, sinto o vento frio que foge dela e ouço o rizo alegre daqueles que conseguiram pagar o preço da morte.
Como eu queria ir junto. Mas não consigo.
Ainda não.
Os gritos se aproximam a cada segundo.
Ela nunca conseguirá quebrar meu espírito, é por isso que doerá tanto.

sábado, 3 de abril de 2010

Cemitério de Vagalumes

Eu nunca terei um filho.
Seria insuportável a culpa de quando eu olhasse aquela criança e pensasse em todo o sofrimento que ela terá quando começar a entender o mundo e que só vai aumentar até que um dia ela morra em forma de adulto.
Sinto a mais profunda tristeza quando vejo crianças brincando e simulando o mundo adulto em suas fantasias com grande expectativa de se tornarem pessoas grandes e poderem fazer o que quiserem. Que crueldade sem tamanho cometemos: deixamos elas sonharem e viverem felizes enquanto podem, criarem suas esperanças e sonhos para mais tarde serem devoradas e cagadas em forma de cidadãos. Deixamos que elas cresçam completamente desprevenidas!
Não deveríamos deixar que criassem esperança, pois ela é a mãe do sofrimento.
Em 6.000 anos de história nenhum esforço foi realmente efetivo contra o sofrimento humano. E não me refiro a fome, guerra e doenças, mas ao sofrimento cotidiano. Aquele de cada dia de trabalho e de frustrações, de cada desejo e sonho que não pode ser alcançado, de cada pedaço de nossa vida que tentamos desesperadamente cobrir com o pouco de alegria que conseguimos, de cada madrugada em que você não quer dormir por causa da promessa de um "novo" dia que virá depois.
Estou falando daquele sofrimento de quando você percebe que vai perder toda a sua vida se matando de trabalhar dia após dia perseguindo algo que nunca vai encontrar correndo em círculos e vendendo aquilo que tem de mais precioso para alimentar um sistema monstruoso que te manda produzir e reproduzir mais e mais para no fim ser descartado e enterrado como se tivesse vivido plenamente.
Eu não quero ver uma criança saindo de casa para viver num mundo desse.
O maior favor que se pode fazer a todas essas almas ainda não nascidas que esperam inocentemente do outro lado é combater a procriação da espécie humana que, diga-se de passagem, já está condenada e deveria ser eliminada da mesma maneira que se amputa uma perna podre ou se sacrificada como um animal agonizante.

Aqui vai um vídeo para levantar o astral.

sábado, 20 de março de 2010

O Mundo Como Representação

Visão.
A luz bate num objeto e é refletida. Entra no olho e atinge o nervo ótico que a transforma em impulsos elétricos, ativando um conjunto de neurônios para formar a imagem no cérebro.
Em experiência num laboratório mostra-se um circulo a uma pessoa e um determinado padrão de neurônios é ativado, mostra-se um quadrado e um outro padrão é ativado. Assim, cada objeto mostrado ativa um diferente padrão de neurônios.
Depois de registrados os padrões no computador, pode-se induzir artificialmente a ativação dos neurônios e fazer com que a pessoa veja quadrados ou círculos mesmo que eles não existam (todos os sentidos funcionam com este princípio).
Registrando-se, então, muitos padrões e definindo quais neurônios funcionam em cada caso, poderíamos induzir no cérebro humano qualquer objeto imaginável (ou até mesmo objetos inimagináveis) e fazer a pessoa acreditar que aquilo realmente existe e, com número suficiente de dados, poderíamos não só fazer a pessoa ver, mas também ouvir e sentir coisas que "não existem".
É assim que funcionaria a Matrix.

O que concluímos disso é que não conhecemos nenhum objeto, mas apenas representações de coisas que nunca poderemos saber como realmente são.

E o que assusta mais e nos leva à loucura é o pensamento de que nunca poderemos saber se o mundo que as outras pessoas veem, ouvem e sentem é o mesmo que vemos, ouvimos e sentimos, isto é, nunca podemos saber como ocorre a representação na mente de outra pessoa.
É claro que se pode facilmente determinar que os neurônios ativados são os mesmos em todas as pessoas que veem um círculo, por exemplo e, mais fácil ainda, é perguntar para a pessoa "O que você vê?" e ela dirá: "Um círculo". Mas ao pensarmos mais profundamente, lembramos que, ao ver os neurônios em simulações no computador ou ouvir a pessoa da experiência dizendo: "Isto é um círculo.", devemos ter em mente que aquela imagem na tela e aquela voz assim como a própria pessoa não passam de representações em nossa mente e não as conhecemos realmente. Essas coisas podem, na verdade, ser totalmente diferentes ou podem mesmo não existir! Isto se deve ao seguinte, os cientistas sambem que o cérebro produz estas representações do mundo, mas para onde ele as manda ainda é um mistério. As imagens são poduzidas e se espalham pelo cérebro e em algum momento elas encontram a consciência, mas onde e como isso acontece, ninguém sabe.
Nosso cérebro nos engana tantas vezes quando sonhamos, por exemplo, ou quando temos alucinações causadas por drogas, quem nos garante que ele não nos engana o tempo todo nos escondendo algo ou mostrando mais do que realmente existe?
Deparamos-nos com a maior solidão possível de ser experimentada.
Pensamentos deste tipo têm seu lugar em manicômios e, nesse caso, não devido a loucura, mas a lucidez em excesso.

Certas culturas entendem a consciência como um sexto sentido, ou sentido interno.
Imagine que uma pessoa tenha seus sentidos desligados um a um numa experiência: primeiro olfato e o paladar, depois a audição, a visão e por fim o tato. Esta pessoa continuaria sentindo seu "eu"? Continuaria tendo consciência? Onde está esse “eu”? Seria apenas uma ilusão?
Muitas perguntas e poucas respostas.
A pessoa sem sentidos certamente perderia toda a noção do espaço, e somente poderia se situar, mesmo que com dificuldade, no tempo. Daí diz-se que a consciência só pode ser localizada no tempo, e nunca no espaço.
O mestre Schopenhauer defina o tempo assim: Cada momento só existe na medida em que aniquila o momento anterior para ser de novo rapidamente aniquilado pelo próximo.
Assim, o presente é um limite infinitamente pequeno (inexistente) entre passado e futuro e estes, por sua vez, não têm existência em si. Então o tempo se resume a uma coisa que não existe separando duas outras coisas que não existem...
A ilusão de tempo é causada pela memória que organiza as coisas numa certa ordem, e é somente dela que vem essa noção (ilusão).

Nada é realmente como nós pensamos que é.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O que somos?

Seria possível que existisse o universo sem que houvesse ninguém para vê-lo? Isto é, se nenhuma forma de vida estivesse aqui para ter consciência da matéria, do espaço e do tempo?
E o contrário? Seria possível que existisse uma consciência sem que houvesse um universo do qual ser consciente? Sem um mundo e sem um corpo, a consciência ainda teria consciência de si mesma? Seria uma consciência da consciência da consciência da consciência...
A quem diga que ambas situações são, impossíveis, e que o mundo só exista se um sujeito puder ter consciência dele, e que este sujeito só existe se puder ter consciência de algo.

Quanto à consciência:

Observando simples evidências, observamos que a consciência está diretamente relacionada à matéria.
Por exemplo, um dano na cabeça, ou uma droga afetam muito eficientemente a consciência ao causar alterações no cérebro que nada mais é do que matéria. Assim a consciência nada tem a ver com uma alma imaterial (se é que existe tal coisa. Se existir, não tem nenhuma consciência, por isso não a sentimos no corpo, pois só podemos sentir matéria).
A consciência está, portanto, no cérebro, condicionada a todas as leis da matéria do espaço e do tempo.

(É claro que tem várias coisas que não conhecemos, como outras dimensões e tantas coisa que nem podemos imaginar que poderiam explicar nossas almas, mas tentarei me manter no campo do conhecido.)

A consciência nasceu no universo e faz parte dele assim como qualquer pedra ou qualquer reação química.
Nosso corpo é feito de bilhões de outros corpos. Nosso ser é feito de bilhões de outros seres. Eles se juntam num sistema complexo para formar nossas consciências, nossas existências. Somos feitos com pedaços do universo, somos a vida e a consciência dele.
Nós somos o universo.

Do mesmo modo que cada neurônio do cérebro (cada um é um ser vivo), com suas funções básicas, se unem e se comunicam formando um complexo vasto que é mente e a consciência humana, cada ser humano se une e se comunica formando uma macro-consciência, e eis que o planeta Terra é um imenso cérebro.
No início da vida havia apenas seres unicelulares, que, com as mutações da evolução, vieram a se agrupar em seres mais complexos sucessivamente, e hoje os somos a união de vários seres microscópicos. Quando penso que sou apenas um ser, estou totalmente enganado, pois sou na verdade trilhões de seres. São os indivíduos unindo-se num sistema para formar um novo indivíduo muito mais complexo que é cada um de nós. E, do mesmo modo, nos unimos formando o imenso ser que é a biosfera da terra.
E a cadeia continua infinitamente enquanto existir vida.
O todo contido na parte.

Nós somos o início da tomada de consciência do universo. O que está acontecendo é isto: Ele quer existir, Ele quer pensar.
Imagine que você é uma pessoa sem consciência de si mesma. Você não existiria, a não ser, é claro, para as pessoas fora de você, mas para si mesmo, não existiria. O mesmo ocorre com o cosmos, mas agora (com o surgimento da vida) ele está adquirindo consciência de sua própria existência.
Nosso planeta é só o início. Nossa missão, como partículas da Grande Consciência é nos espalharmos pelas galáxias levando a consciência a cada canto obscuro e vazio, tornando-nos cada vez mais unos e mais conscientes de nós mesmos.
Somos um com o Universo, pois nós o somos. Tudo e uma coisa só.
Esta é a razão de estar-mos aqui.
É isso o que somos.

Ps: Segundo cientistas, mais de 90% da matéria existente no universo é matéria escura, que é um tipo de matéria impossível de ser vista, e que seria algo que desse uma espécie de ordem na disposição da matéria normal e que preenchesse o universo inteiro. Como se fosse um suporte, ou coisa parecida.


Abaixo vai uma imagem de como a matéria escura dispõe a matéria no universo:














que é incrivelmente parecido com os neurônios em nossa cabeça abaixo:

quinta-feira, 4 de março de 2010

Schopenhauer

"Na infância, nos situamos frente ao futuro de nossa vida tal qual crianças frente à cortina do teatro, na alegre e tensa expectativa das coisa que virão. É uma sorte não sabermos o que efetivamente virá, pois para quem sabe, poderá. ás vezes, parecer que as crianças são delinquentes inocentes, condenadas não à morte, mas à vida , as quais ainda não ouviram o conteúdo de sua condenação. Não obstante, ainda assim, todos querem para si uma vida prolongada; por conseguinte aspiram a um estado em que a situação é: "Hoje está mal, amanhã será pior, até que sobrevenha o mal definitivo"."
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"É uma verdade incrível como a existência da maior parte dos homens é insignificante e destituída de interesse, vista de fora e como é surda e obscura sentida de dentro."
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"Os homens assemelham-se a relógios a que se dá corda e trabalham sem saber a razão. E sempre que um homem vem a este mundo, o relógio da vida recebe corda novamente para repetir, mais uma vez, o velho e gasto estribilho da eterna caixa de música, frase por frase, com variações imperceptíveis."
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"Toda alegria é um erro, uma ilusão, já que nenhum desejo realizado pode nos satisfazer por tempo duradouro e, ainda, porque toda posse e alegria só podem ser concedidas pelo acaso, por tempo indeterminado, conseguintemente podem ser retiradas na hora seguinte. Todo sofrimento baseia-se no desaparecimento dessa ilusão. Alegria e dor nascem, portanto, de um erro. O sábio, no entanto, sempre permanece distante da alegria e da dor, e nenhum acontecimento o perturba."--A chamada "felicidade" é concebida erroneamente pela grande maioria das pessoas, que a veem como uma vida cheia de alegrias, quando na verdade, ela é uma vida equilibrada, não com o equilíbrio entre a quantidade de alegria e a quantidade de dor, mas com a ausência de ambos.
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"Falta muito para que a razão corretamente empregada possa livrar-nos de todo fardo e sofrimento da vida e conduzir-nos à bem-aventurança. O que encontramos ainda é uma completa contradição em se querer viver sem sofrer." (...)
"O estoicismo inclui em seu preceito para uma vida feliz uma recomendação de suicídio, sendo esta a única corrente de pensamentos que o faz, já que todas as outras pregam a virtude mesmo perante o maior dos sofrimentos, e não querem que , para escapar dele. o ser humano atente contra a vida; contudo, nenhuma delas conseguiu expressar o fundamento verdadeiro da rejeição do suicídio, mas apenas colecionam de maneira laboriosa fundamentos ilusórios de todo tipo."(...)
"Assim como entre os déspotas orientais também encontramos entre seus valiosos ornamentos e objetos um precioso frasco de veneno, para o caso de os sofrimentos do corpo, impossíveis de ser filosoficamente eliminados, serem tão intensos e incuráveis que o seu fim único, a bem-aventurança, é obstado e nada resta para escapar ao sofrimento senão a morte, que, como qualquer outro medicamento pode ser tomado com indiferença."

Schopenhauer 1788-1860

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O Sonho

Perguntemos-nos: Qual é a diferença entre o sonho e a realidade.

É claro, o sonho não tem a consistência que há no "estar-desperto". Porém, só podemos dizer que o sonho é inconsistente, pois temos um mundo mais consistente com o qual compará-lo, e só dizemos que este mundo é consistente pois temos um mundo menos consistente com o qual fazer a comparação.
Então, "ser real" não é algo absoluto. É mais correto dizer "mais real", pois só existe real em comparação ao falso, ou seja, o "menos real".
A diferença entre sonho e realidade se dá, então, no fato de que nesse, há um momento em que despertamos.
O único meio de sabermos que o sonho não é "real" é o fato de termos este outro mundo para fazer a comparação.

Será possível despertar neste nosso mundo, isto é, despertar estando-se desperto, e encontrar outro mundo que nos faria ver este daqui como tão falso quanto um sonho? Como seria uma pessoa assim desperta?
Imaginemos que uma pessoa nasce dormindo e vive sua vida inteira deste modo, sonhando o tempo todo.
Esta pessoa nunca terá este mundo que temos para dizer que o seu não é real, então o sonho é a sua realidade, e talvez, dentro de sua realidade, ela durma e tenha sonhos dentro dos sonhos, então ela dirá que seu mundo é real com tanta certeza quanto nós dizemos que o nosso o é.
E se acordarmos esta pessoa?
Você é uma pessoa assim, você vive num sonho, existe outro mundo para o qual você está dormindo. Para ver este mundo é preciso despertar deste sonho, e isto não é uma tarefa fácil.
Este texto é o próprio sonho tentando te alertar.
Tente provar o contrário, não para mim, afinal, sou apenas parte do sonho. Tente provar a si mesmo que você não está sonhando e que não existe um mundo "mais real" do que este.
É impossível, entretanto, que eu lhe prove que o que digo é verdade.
Tais pensamento conduzem à insanidade, e insanidade é despertar.
Tudo que se pode fazer é tentar despertar, pois se não o fizer, nunca se saberá se está sonhando.

Resumindo: Só podemos dizer este mundo é real porque existem outros mundos menos reais do que ele.
Então, este mundo só é mais real em comparação com um menos real
assim, nada impede que hajam outros mundos mais reais do que este.
Real e falso é relatividade.

"E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música."
Nietzsche

E agora? (Hello Nietzsche ♥)

Façamos um exercício de honestidade.
Veja alí: lá vai aquele homem louco falando sozinho. Ele acredita que tem um outro com ele, e os dois se divertem à beça conversando o dia todo. E um não vive sem a companhia do outro, pois não poderiam suportar a solidão.
Na verdade, eles se conheceram no momento de maior solidão.
Aquele homem havia perdido a casa e a família, estava arrependido de tudo que fizera na vida, estava a beira do suicídio. Então os dois se encontraram num bar e não se separaram mais.
Agora sempre que surge algum problema, ou o passado voltava para deprimir, o amigo está sempre lá com um ombro para chorar.
Lá vai este homem no meio da rua falando sozinho. Deve ser esquizofrênico o pobre diabo. As pessoas têm medo de chegar perto. Algumas batem e chutam.
Na verdade, a maioria deseja que ele morra logo.

Agora olhe alí. Lá vai aquele outro homem indo à igreja com sua família. Este sim é um homem perfeitamente normal, veja: ...mas espere. Ele está falando sozinho igual ou doido. Veja! Ele está extasiado gritando e pulando! Ele está falando com outro homem imaginário igual ao amigo do doido.
É claro que este amigo tem muito mais influência nas rodas, afinal, são muitos os doidos que o vêem.
E este amigo imaginário surje numa época parecida com a daquele outro, mas este é o Amigo Imaginario Padrão.
Assim você pode ficar louco sem fugir do Padrão do rebanho. Está é a loucura oficial da sociedade, e só ela é permitida.

O que é a "verdade"?
Ora, a "verdade" é a mentira convencional.
A verdade é a mentira que foi aceita por todos, ou pela maioria. No final tudo é mentira, mas algumas são mais bonitas.
É tudo uma questão de padronização e de utilidade, afinal nós seres humanos, não passamos de meros animais de rebanho, sem metáforas ou analogias. É isso mesmo o que somos. Igual às ovelhas.
A única diferença é que somos um pouco mais difíceis de controlar. Mas só um pouco.

Agora veja aquele outro maluco alí.
Ele se mata de trabalhar todos os dias. Vendeu sua juventude por um salário mínimo.
Não importa o quanto ele se esforce, o quanto sue, o quanto sangre, o quanto passe fome, o quanto tolere, o quanto sofra, ele sempre terá que acordar amanhã e fazer tudo de novo.
É claro que ele tem uma saída simples que todos conhecemos, mas este doido também tem o Amigo Imaginário Padrão que sussura coiss em sua cabeça. Ele diz: "Não se importe com o sofrimento, é tudo ilusão. Quanto mais você sofrer, mais você terá prazer depois da morte. Eu gosto de vocÊ assim, pois eu não gosto de quem não sofre. Sofrimento é a melhor coisa dessa vida, por que quanto mais sofriento você conseguir na vida, melhor vai ser o presente que eu vou te dar depois!"
E assim ele se vende mais e mais e sofre mais e é mais submisso e mais obediente e mais doente e dependente. E tudo isso com um sorriso no rosto.
E no final é isso que importa. Depois que ele morrer não terá mais nenhuma serventia. O importante é que se conseguiu disfarçar a escravidão e fazê-lo, ainda, ficar feliz com isto.
Grande feito! Grande feito!
Pobre coitado. Não sabe que seu Amigo trabalha para os Poderosos, que são aqueles que realmente podem comprar e vender vidas.

Uma mentira contada muitas vezes e com muita convicção torna-se verdade.

Estamos em pleno século XXI. Devemos rir de nós mesmo se ainda tentamos procurar algum motivo para continuar aqui.
O que estamos fazendo? O que?
NADA!
Não existe progresso, isto é, o desenvolvimento (científico, social, "espiritual" que seja) não leva a lugar nenhum. De fato, não há este "lugar" ao qual a história vai nos levar, a não ser que seja a destruição.
Só vivemos então por conta da ignorância e da busca do prazer.
No fundo estamos todos dizendo "Que me importa se o mundo vai acabar? Eu vou morrer de um jeito ou de outro. Todos vão morrer de um jeito ou de outro."
E estamos errados ao pensar assim?
Somente alguém que acredita numa essência oculta da existência pode contrariar este ponto de vista. Mas como foi dito, estamos em pleno século XXI, Deus está morto(embora seu cadáver permaneça insepulto). Não há ninguém para nos responsabilizar e ninguém para responsabilizarmos. Estamos sozinhos no mundo e somos donos e senhores de nossos próprios atos.

Apenas os loucos são iludidos pelo Amigo, e estes loucos são a maioria esmagadora da humanidade.
O que fazer então?

No fim das contas, somos apenas seres humanos. Fomos cruelmente jogado neste mundo e providos de consciência. O que se pode esperar de criaturas assim?

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Niilismo Existencial

Por que existem as flores?
Ora, para que os insetos a polinizem. Os insetos a polinizam para que elas virem frutos. Elas virem frutos para proteger as sementes. As sementes existem para que novas árvores nasçam.
Errado!
As flores não existem para cumprir alguma missão de serem polinizadas e assim por diante. Não. Elas existem, e é só.
Não existe esta relação de finalidade das coisas, ou seja, nada existe com alguma missão ou por algum motivo. As coisas simplesmente existem, e é só.
A vida é nada além de um fato. Não estamos para fazer nada, isso de motivo é delírio de nossa razão que procura motivar tudo o que vê.
É claro que criamos as coisa para suprir alguma necessidade. Por exemplo, uma caneta existe com a finalidade de escrever. Ela existe para isso. Este é o motivo pela qual foi criada. Mas este motivo só existe em nossa concepção, em nossa mente, em nossa representação do mundo.

O ponto em que quero chegar é este:
Quanto esforço foi desprendido pelas maiores mentes da história de nossa humanidade na procura de uma razão pela qual somos, mas ainda hoje, depois de milhares de anos, ainda não se encontrou nada, e isto se dá por um motivo muito simples: é impossível encontrar algo onde não existe nada.
A frase" Estamos aqui por que..." Não tem fundamento. A única coisa certa é "Estamos aqui." e ponto final.
"Por que existo" é uma coisa e "para que existo" é outra.

Por que existo?
Porque bilhões, trilhões de pessoas se reproduziram e se reproduziram e se reproduziram através dos milênios até que, numa destas reproduções surgiu eu. Esta é a CAUSA.
Para que existo?
Nada!
Para que existiram estes tantos bilhões e trilhões se reproduzindo descontroladamente?
Nada!
Quando eu fui criado, haviam milhões de espermatozóides tentando fecundar o óvulo, mas só o meu conseguiu.
Por que eu?
Nada!
Eles existiram e eu existo e outros vão existir, e ponto final. Não há nada além disso.

A flor existe: fato.
Ela tem pólen: fato.
O inseto espalha o pólen: fato.
A flor vira semente e fruto: fato.
A semente gera outra planta: fato.

Não existe motivo. É tudo uma cadeia de acontecimentos, tudo causa e efeito, e isto é tudo. Não há razão em nada fora de nossas cabecinhas.
Nada!
Assim é fácil ver que não existe motivo: uma pedra caiu encima de outra (causa) e as duas se partiram (efeito).
Por que se racharam?
Porque uma uma caiu encima da outra.
Para que se racharam?
Nada!

E é isto, estamos aqui e vivemos pelo mesmo motivo que as pedras se racham: nenhum.
A essência de tudo é só causa e efeito (consequencia). Não há nada além.

As coisas simplesmente são, e é isto.

Aqui tem um texto muito inspirador sobre o Niilismo: http://ateus.net/artigos/filosofia/niilismo.php

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Devir

Daqui a cem anos (ou um pouco mais), é certo que todas as pessoas que estão vivas hoje estarão mortas, mas ainda assim existirão tantas, ou, como é bem provável, mais pessoas do que existem hoje.
Serão todas elas pessoas diferentes das de agora. Será outra humanidade completamente diferente que viverá no seu "presente" e o agora será "passado", como as águas do rio que passaram ontem, pois somos todos filhos do Devir.
E Ele é o mestre de tudo.

Sabemos que nada é eterno. Todas as coisas que surjem em nosso mundo são destruídas. Tudo que está sujeito a surjir está sujeito a cessar.

"Tudo que brilha se torna ferrugem;
tudo que está no tempo torna-se poeira."

Isto não é totalmente correto, pois, se pensamos que alguma coisa se quer surje, é porque nossa visão é limitada e vivemos num período tão pequeno no tempo quanto um inseto num jardim.
Lá vai a formiga pensando sobre como seu formigueiro já estava lá quando ela nasceu e ainda estará lá quando ela morrer. Não lhe passa pela mente que aquilo é só um buraco no chão, e que ele não dura depois da próxima chuva.

É fácil pensar que o que vemos nas nuvens são apenas formas que elas assumem ocasionalmente em seu movimento ininterrupto.
Mas é difícil pensar que o mesmo se da com tudo a nossa volta: o chão, o ar, a mesa, as árvores, o sofá, o próprio corpo.
Estes objetos são apenas formas temporárias e não existem a não ser na hora em que lhe damos um nome. São como rostos que se formam nas ondas dum rio.
Mesmo eu e você somos apenas uma forma temporária assumida pela matéria em seu movimento perpétuo.
E estas são as únicas coisas que existem: a Matéria e o Devir, pois o Devir é a matéria e a Matéria é o Devir.
Mesmo meu corpo como é agora não é o mesmo que era quando criança. Células morreram e outras nasceram a partir do que é assimilado e do que vem da terra e para ela voltará e meu corpo não é senão mais um escravo do Devir, Senhor do Universo.
Pois o Devir é o Movimento, a Mudança, o FLUXO, e esta é a essência de tudo o que existe.

"É impossível entrar num rio duas vezes, pois na segunda vez já não será o mesmo rio."

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

A mais completa solidão já experimentada

Música

Certa manhã, acordo-me de sonhos inquietos e encontro-me deitado comigo mesmo.
Isso mesmo, literalmente, lá estou eu espantado olhando para mim mesmo bem do meu lado ainda dormindo. Terei morrido?
Me levanto desesperado e penso em gritar por ajuda, mas vejo que é inútil. Não há mais nada a se fazer depois que se está morto.
Mas espere.
O que vejo agora é ainda mais perturbador. Vejo o outro eu que dormia acordar e se levantar sem se dar conta de minha presença.
Percebo então que não estou morto, mas apenas saí de mim mesmo.
Que sonho estranho e terrível. Tento, mas não consigo acordar dele.
Vejo eu mesmo andando pela casa e não parece que nada lhe falta.
Eu grito e ninguém me ouve, tento mover as coisas, mas ninguém me vê.
Que tipo de demônio entra no quarto das pessoas e as separa de si mesmas?
Que coisa horrível, o que será e mim? Esta é a mais completa solidão já experimentada.
Terei eu simplesmente me aborrecido de mim e me livrado de mim mesmo? Quando isso aconteceu? Não me lembro!
Tenho todas as minhas memorias, e o outro eu também parece ter. Nada mudou em nós.
Talvez eu seja simplesmente ma cópia daquele que penso ser eu, mas nada tenho a não ser suas memórias.
Talvez eu nunca tenha existido antes deste momento.
Tudo que penso que só é apenas uma cópia daquele que vejo alí.
.
Passa-se o dia, passam-se as semanas os meses e os anos.
E lá estou eu e aqui estou eu.
Vivo todos estes anos como um fantasma seguindo a mim mesmo.
Durante algum tempo eu tentava aparecer nas fotos, ou tentava causar interferência na tv para que me vissem. Tudo em vão.
Eu nada podia fazer a não ser ver a mim mesmo vivendo sem nunca saber de minha existência, sem nunca sentir falta de mim.
Se eu não sou eu, então o que sou?
.
Bom agora, depois de tanto tempo, decidi abandonar aquele que costumava ser eu e partir para outro lugar, pois aquele já não é mais eu. Somos "pessoas" completamente diferentes agora.
Não é "eu", agora é "ele".
Me pergunto se continuarei assim depois que ele morrer.
Não importa, já não sinto mais nada. Meu espírito está se esvaindo e eu sei que algum dia vou simplesmente desaparecer.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Como somos feitos de nada

Toda consciência é consciência de alguma coisa.
Tenho consciência do que faço, do que vejo, do que sinto, do que penso...
Posiciono-me fora de algo para poder "ver" este algo e saber que ele está lá e é diferente de mim.
Porém, tenho consciência de mim mesmo, isto é, a consciência é ciente de si mesma.
Mas nós não sentimos esta consciência o tempo todo do mesmo modo que não sentimos a roupa em nosso corpo o tempo todo, embora ela esteja lá. Só percebemos prestarmos atenção.
Porém é mais difícil perceber a consciência da conciência. E é uma experiência aterradora.
O que acontece é que a consciência sai de si para reconhecer a si mesma como algo fora dela, e a sensação é de que se está observando a si mesmo fora de si. E então percebe-se que a mente não tem fundações e o "eu" é nada.
Somos feitos de nada.
.
A percepção vaga deste nada, porém, é inerente de todos nós, e por isso estamos continuamente tentando encontrar bases para nós mesmos, e daí vem a angustia de nunca conseguir encontrar uma base.
O ser humano é uma criatura sem lar.
.
Somos escravos disso. Tentando inutilmente preencher o Nada a cada dia, cada hora, cada segundo, cada respiração, cada movimento e pensamento.
Mas não se pode preencher o Nada. Nunca chegaremos a lugar nenhum.
Desistamos.
.
(Sartre, Hegel, Husserl, Heidegger)

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Quem sou? Onde Estou?

Sempre à noite quando tento dormir, eu fico tentando parar de pensar.
(Tenho certeza que não sou o único.)
Noite passada, eu estava tendo pouco êxito em silenciar meus pensamentos, e como sempre, eles voltavam a todo momento.
Percebi que eu estava mandando uma parte de mim parar de pensar, mas esta parte queria continuar pensando e literalmente desobedecia às ordens desta outra parte que queria parar de pensar.
Ficou extremamente claro parar mim que eu não estou sozinho dentro de minha mente. Há uma grande variedade de pedaços que agem de variadas formas e entram em conflito entre si. Naquela noite eu concentrei-me e prestei bastante atenção e realmente vi que tem muitos dentro de mim, e em certo momento tive muito medo, pois não conseguia me achar no meio daquilo tudo. Será que eu sou só um desses pedaços, ou será que eu sou a junção de todos? Ou talvez tenha um escondido lá no fundo que seja o "eu" de verdade.
Será que estou aqui dentro mesmo?
Eu estou me sentindo aqui. Eu sinto a vida em si. Sinto minha própria vida.
"Eu penso, logo existo."
Mas será que sou eu mesmo que penso? Será?
Até onde tenho controle sobre minha mente?
É inútil que eu tente me controlar de qualquer forma, afinal, sou a soma de muitos, e nem faço ideia de qual deles possui algum controle, se é que algum deles o possui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

As Luzes. Oh as Luzes!

Nada se compara à abundância de nossos dias sobre a luz da imensa criadora de nosso ser.
Ao menos por esta passagem instável que temos.
Subtamente nos vemos caindo no precipício de luz e escuridão que é o fim de nossa matéria e início de algo. Talvez sim, talvez não.
Podemos fazer nada. Temos nada em nossas mãos. Somos ratos correndo em círculos numa roda até que esta se enferruje e quebre. Então não podemos nada. Não temos nada e não somos nada.
Os verdes tornam-se escuros propósitos de caminhos misteriosos e coesões duvidosas. Não temos nada.
Borbulhantes são os caldeirões subterrâneos que existem sempre e sempre existem.
Nem nos damos conta.
São os senhores e não têm vida. Nós somos seus pensamentos, e lhe damos existência.
Oh preciosa Existência!
Podemos ver por onde quisermos, mas não queremos ver por onde devemos. Somos ratos correndo numa roda.
Ratos correndo numa roda.
Luzes passam sobre nossas cabeças, e os ventos escuros as levam para longe. Os ventos que sopramos com nossos pulmões poluídos e nossos estômagos cheios.
E nos enchemos até explodir. O vento leva as luzes embora para sempre. Para sempre.
E caímos na terra, e nos tornamos vermes no escuro.
As luzes foram embora para nunca mais voltar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Enterrem-me numa cova sem nome

Não quero caixão e não escrevam nada em minha lápide pois não ficarei lá por muito tempo.
Que que ninguém nunca se lembre que eu um dia vivi.
Finalmente encontrarei meus semelhantes e serei um só com os vermes.
Minha carne morta perpetuará a vida entre meus irmãos assim como a sua.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Eu não sou quem penso

Quando nasci, eu não tinha qualquer consciência de meu corpo, ou do mundo. Meus olhos estavam fechados, e eu era puro. Uma alma inocente num corpo que acaba de chegar ao mundo.
À medida que o tempo passa, vou tomando consciência das coisas ao redor e de meu próprio corpo. Meus olhos abrem e meu cérebro começa a construir uma ideia do mundo. Ele está construindo um muro ao redor de minha alma pura. Este muro é chamado de ego, e ao longo de minha vida, ele esconde minha alma por completo.
E a construção continua quando começo a entender os sentimentos da mamãe e do papai. Eles ficam felizes quando faço certas coisas e triste quando faço outras coisas, então meu ego pega estas informações e se adapta a elas. É como se ele fosse um espelho que fizesse dentro do meu cérebro uma imagem abstrata do que vejo.
Esta construção continua por toda minha vida. Quando entro na sociedade, meu ego começa a se adaptar refletindo as ideias que as pessoas demonstram sobre mim. Se as ideias são ruins, meu ego fica abalado e me causa sofrimento, por não conseguir adaptar-se. O objetivo instintivo principal é o de se adaptar à sociedade.
Então o ego é a causa de todo meu sofrimento e angústia. Se olharmos fundo em nossos sentimentos vamos perceber que este ego é a causa de todas as nossas alegrias e tristezas, enquanto nosso verdadeiro "eu", nossa alma pura, continua lá dentro escondida enterrando-se cada vez mais no ego.
Então, crucifique o ego. Encontre sua alma, o seu início. Encontre você mesmo. Isso que pensamos ser, e´uma ilusão.
Mas cuidado, pois destruir o ego de uma vez, nos leva ao pânico, pois é como morrer. Mas se seguimos no caminho, atravessando o medo, encontraremos nossa alma.

No fim das contas, todas as religiões ensinam a mesma lição, mas cada uma com uma metáfora mais exagerada que a outra.

(Inspirado num trecho extraído do livro "Além das Fronteiras da Mente" e inspirado em experiência e reflexão pessoais)