Acho que a humanidade só conseguirá ir adiante com tudo isso com a ajuda de antidepressivos.
O mundo está todo doente.
Eu sei que eu só consigo acordar de manhã e ir trabalhar por causa dos remédios. Não tenho motivação para nada, sei que não sou o único. Somos cada vez mais numerosos os seres humanos sem vontade de vida.
Minha geração é uma geração doente, e a próxima está se mostrando ainda mais doente.
Estamos numa época em que até a vontade é artificial, pois ela está acabando e está sendo envenenada igual às águas e o ar e as florestas.
Um mundo doente é resultado de uma civilização doente.
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domingo, 15 de maio de 2011
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Eu, a Mente
Qual é a relação entre a matéria e a mente?
Ainda hoje não se sabe a localização da consciência no corpo. É como se ela não estivesse em lugar algum, isto é, nós não estamos em lugar algum.
Cada um de nós é uma mente isolada das outras. Nunca podemos realmente transmitir uma ideia, um pensamento ou um sentimentos, mas apenas sinais de linguagem e padrões para que as outras mentes interpretem e assim reproduzam replicas destas ideias, pensamentos e sentimentos em seu entendimento. Fazemos o possível para que estas interpretações sejam o mais fieis possíveis ao original, mas no fim são outras ideias em outras mentes. Meras interpretações, meras representações.
Nunca poderemos realmente conhecer uns aos outros. Tudo que temos são estas interpretações, estas réplicas. Nunca conheceremos a "coisa em si".
Somos apenas mentes recebendo sinais e produzindo réplicas umas das outras, interpretando umas às outras, e nunca realmente nos conhecendo.
Uma pessoa que "conheço" é apenas uma interpretação armazenada em meu entendimento.
...........................................................................................................................................................
Cada consciência é uma ilha ligada às outras através desta realidade que é nosso meio de comunicação, e nós somos Aqueles-que-Conhecem-e-que-Nunca-Podem-Ser-Conhecidos.
...........................................................................................................................................................
"A mente é uma coisa estranha e maravilhosa. Não sei se ela será capaz de desvendar a si mesma. Todo o resto talvez: desde o átomo até o universo. Tudo, exceto a si mesma."
Trecho do filme "Invasion of the Body Snatchers- Os Invasores de Corpos"
Ainda hoje não se sabe a localização da consciência no corpo. É como se ela não estivesse em lugar algum, isto é, nós não estamos em lugar algum.
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Eu sou uma mente e não posso ser situada em nenhum lugar no Espaço (somente no Tempo) embora meu único meio de comunicação com as outras mentes é através deste Espaço, Tempo e matéria.Cada um de nós é uma mente isolada das outras. Nunca podemos realmente transmitir uma ideia, um pensamento ou um sentimentos, mas apenas sinais de linguagem e padrões para que as outras mentes interpretem e assim reproduzam replicas destas ideias, pensamentos e sentimentos em seu entendimento. Fazemos o possível para que estas interpretações sejam o mais fieis possíveis ao original, mas no fim são outras ideias em outras mentes. Meras interpretações, meras representações.
Nunca poderemos realmente conhecer uns aos outros. Tudo que temos são estas interpretações, estas réplicas. Nunca conheceremos a "coisa em si".
Somos apenas mentes recebendo sinais e produzindo réplicas umas das outras, interpretando umas às outras, e nunca realmente nos conhecendo.
Uma pessoa que "conheço" é apenas uma interpretação armazenada em meu entendimento.
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Cada consciência é uma ilha ligada às outras através desta realidade que é nosso meio de comunicação, e nós somos Aqueles-que-Conhecem-e-que-Nunca-Podem-Ser-Conhecidos.
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"A mente é uma coisa estranha e maravilhosa. Não sei se ela será capaz de desvendar a si mesma. Todo o resto talvez: desde o átomo até o universo. Tudo, exceto a si mesma."
Trecho do filme "Invasion of the Body Snatchers- Os Invasores de Corpos"
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
Despersonalização (Dormência Mental)
Em psicologia e psiquiatria, a despersonalização é entendida como "uma desordem dissociativa caracterizada por experiências de sentimentos de irrealidade, de ruptura com a personalidade, processos amnésicos e apatia."
É um estado no qual a pessoa tem a sensação de estar "fora de si" como se estivesse em algum outro lugar controlando à distancia seu corpo e sua mente como um boneco.
É este estado que chamo de Dormência Mental, e acontece quando "tomamos consciência de nossa consciência".
Explico:
nosso mundo é dividido em objeto e sujeito: Objeto é tudo aquilo que podemos conhecer, isto é, as coisas das quais podemos ter consciência(coisas, pensamentos, espaço, tempo, sons, etc). Sujeito é aquele que conhece as coisas mas que nunca pode ser conhecido, é aquele que tem consciência daquilo que está "fora", do objeto, do universo.
O fato de dizermos "eu conheço tal pessoa" não significa que conhecemos aquele sujeito, pois este não pode ser encontrado, é o "eu" da pessoa, a consciência que só pode ser localizada no tempo e nunca no espaço. Apenas o sujeito pode ter uma leve ideia de si mesmo.
O que ocorre na despersonalização é um fenômeno (acidental ou proposital) no qual o sujeito "trapaceia" e toma consciência de si mesmo e, como só podemos ser conscientes daquilo que está fora de nós, ocorre uma ruptura, uma divisão da consciência em duas: uma que conhece e uma que é conhecida.
Daí vem a sensação de estar fora de si mesmo, e o desespero vem com a sensação de irrealidade pois neste momentos percebemos o quanto infundada e sem sentido é nossa mente e consciência. É como abrir as portas da percepção e ver como somos feitos de nada e o quanto estamos afundados em abstrações. De fato, neste momento percebemos que nada é concreto, nem espaço nem tempo, nem nada de nada.
É claro que no momento em que ocorre eu não tenho a capacidade de analisar tudo isso, já que a minha preocupação maior é a de voltar ao normal e perder toda essa consciência maldita. Toda esta analise vem depois quando penso sobre o ocorrido.
É a última saída da caverna rumo ao "deserto do real".


É um estado no qual a pessoa tem a sensação de estar "fora de si" como se estivesse em algum outro lugar controlando à distancia seu corpo e sua mente como um boneco.
É este estado que chamo de Dormência Mental, e acontece quando "tomamos consciência de nossa consciência".
Explico:
nosso mundo é dividido em objeto e sujeito: Objeto é tudo aquilo que podemos conhecer, isto é, as coisas das quais podemos ter consciência(coisas, pensamentos, espaço, tempo, sons, etc). Sujeito é aquele que conhece as coisas mas que nunca pode ser conhecido, é aquele que tem consciência daquilo que está "fora", do objeto, do universo.
O fato de dizermos "eu conheço tal pessoa" não significa que conhecemos aquele sujeito, pois este não pode ser encontrado, é o "eu" da pessoa, a consciência que só pode ser localizada no tempo e nunca no espaço. Apenas o sujeito pode ter uma leve ideia de si mesmo.
O que ocorre na despersonalização é um fenômeno (acidental ou proposital) no qual o sujeito "trapaceia" e toma consciência de si mesmo e, como só podemos ser conscientes daquilo que está fora de nós, ocorre uma ruptura, uma divisão da consciência em duas: uma que conhece e uma que é conhecida.
Daí vem a sensação de estar fora de si mesmo, e o desespero vem com a sensação de irrealidade pois neste momentos percebemos o quanto infundada e sem sentido é nossa mente e consciência. É como abrir as portas da percepção e ver como somos feitos de nada e o quanto estamos afundados em abstrações. De fato, neste momento percebemos que nada é concreto, nem espaço nem tempo, nem nada de nada.
É claro que no momento em que ocorre eu não tenho a capacidade de analisar tudo isso, já que a minha preocupação maior é a de voltar ao normal e perder toda essa consciência maldita. Toda esta analise vem depois quando penso sobre o ocorrido.
É a última saída da caverna rumo ao "deserto do real".


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sexta-feira, 25 de junho de 2010
Sobre a Memória e os Perigos das Dimensões Ocultas
Pouco pensamos na memória, e pouco é necessário antes que fiquemos perplexos.
Vejamos as coisas do seguinte modo: tudo nesta existência acontece (está acontecendo) simultâneamente. Aquilo que chamamos de passado são apenas informações no cérebro, o futuro podemos apenas imaginar e o presente é um espaço de tempo infinitamente pequeno entre estes dois, ou seja, também inexistente.
"Tempo", então, consiste em algo que não existe separando duas outras coisas que não existem. É portanto, inexistente.
De onde surge a ilusão de tempo?
A memória produz esta ilusão em nossa mente, fazendo nos acreditar que as coisas acontecem uma depois da outra. É uma maneira de organizar os acontecimentos do universo em nossa mente.
É uma coisa cósmica.
É muito difícil, talvez impossível para nós imaginar um universo sem tempo e o seguinte pensamento pode nos vir à cabeça: uma coisa cuja existência não tem duração nenhuma, isto é, zero, é para nós uma coisa que nunca existiu.
A noção de espaço e das três dimensões nos são fornecida pelos cinco sentidos, já a noção desta quarta dimensão chamada "tempo" nos é proporcionada pela memória que poderia então ser descrita como um sexto sentido através do qual sentimos a quarta dimensão.
Imagine se uma pessoa nasce com uma má formação no cérebro: ela não possui memória.
Do ponto de vista desta pessoa a sua própria existência "não existe", pois ela não sentiu nenhuma duração, nenhum tempo. Ela só pode existir do ponto de vista das outras pessoas que conseguem perceber uma dimensão que ela não consegue. Ela sequer tomaria consciência disso que chamamos de tempo.
Seu corpo reagiria aos estímulos de dor, frio, etc, mas essa pessoa não teria evolução em sua mente, não acumularia nenhuma informação em sua mente que ela pudesse chamar de passado. Seu corpo estaria à mercê de qualquer coisa que quisessem fazer com ela.
Esta pessoa teria mente?
...
O que nos leva à seguinte questão: e quanto às outras dimensões além do tempo que não podemos perceber?
Segundo os cientistas existem cerca de 10 ou 11 dimensões em nosso universo. Não é possível que hajam seres que percebam estas dimensões?
Para eles nós estamos vegetando.
Somos apenas marionetes em suas mãos.
dimensões

Vejamos as coisas do seguinte modo: tudo nesta existência acontece (está acontecendo) simultâneamente. Aquilo que chamamos de passado são apenas informações no cérebro, o futuro podemos apenas imaginar e o presente é um espaço de tempo infinitamente pequeno entre estes dois, ou seja, também inexistente.
"Tempo", então, consiste em algo que não existe separando duas outras coisas que não existem. É portanto, inexistente.
De onde surge a ilusão de tempo?
A memória produz esta ilusão em nossa mente, fazendo nos acreditar que as coisas acontecem uma depois da outra. É uma maneira de organizar os acontecimentos do universo em nossa mente.
É uma coisa cósmica.
É muito difícil, talvez impossível para nós imaginar um universo sem tempo e o seguinte pensamento pode nos vir à cabeça: uma coisa cuja existência não tem duração nenhuma, isto é, zero, é para nós uma coisa que nunca existiu.
A noção de espaço e das três dimensões nos são fornecida pelos cinco sentidos, já a noção desta quarta dimensão chamada "tempo" nos é proporcionada pela memória que poderia então ser descrita como um sexto sentido através do qual sentimos a quarta dimensão.
Imagine se uma pessoa nasce com uma má formação no cérebro: ela não possui memória.
Do ponto de vista desta pessoa a sua própria existência "não existe", pois ela não sentiu nenhuma duração, nenhum tempo. Ela só pode existir do ponto de vista das outras pessoas que conseguem perceber uma dimensão que ela não consegue. Ela sequer tomaria consciência disso que chamamos de tempo.
Seu corpo reagiria aos estímulos de dor, frio, etc, mas essa pessoa não teria evolução em sua mente, não acumularia nenhuma informação em sua mente que ela pudesse chamar de passado. Seu corpo estaria à mercê de qualquer coisa que quisessem fazer com ela.
Esta pessoa teria mente?
...
O que nos leva à seguinte questão: e quanto às outras dimensões além do tempo que não podemos perceber?
Segundo os cientistas existem cerca de 10 ou 11 dimensões em nosso universo. Não é possível que hajam seres que percebam estas dimensões?
Para eles nós estamos vegetando.
Somos apenas marionetes em suas mãos.
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sábado, 15 de maio de 2010
Desgraçados
"Desgraçados" é uma obra ímpar de Lourenço Mutarelli.
Aqui eu transcrevo um trecho que significa muito para mim:
"...não foram apenas lindas poesias e boas piadas que aprendi neste sanatório. É engraçado, mas eu levei muito tempo para perceber que estava num hospital psiquiátrico (...), uma espécie de prisão onde se detinham pessoas que ainda possuíam sensibilidade.
Para esse mundo, sensibilidade não é qualidade ou característica, é sintoma.
Lá fora vagam os mortos-vivos, aqui dentro estão detidos aqueles que por algum motivo perceberam o absurdo deste sistema estabelecido numa convenção estúpida, castradora, cruel e patética.
Mas mesmo assim a sensibilidade retida neste manicômio é temporária em um breve tempo, todos que aqui chegam são neutralizados bombardeados por psicotrópicos...hipnóticos...tranquilizantes...
'As trágicas fileiras de escravos das drogas se espicham a perder de vista pelos vales desta humanidade cada vez menos humana e sempre mais psicodélica, vazia, enfastiada, inconsequente e mesmificada no sofrimento neurótico e psíquico.' dirá Hermógenes. Tornando-se assim pessoas normais...equilibradas...nem mais nem menos...o meio...o comum... o igual. Mas já disse o poeta que a natureza não faz nada igual. 'Não existem dois flocos de neve iguais.' Mas não importa, eles querem igualar, afinal 'Todos são iguais perante Deus.'.
Mesmo assim, ainda existem aqueles que são mais resistentes, aqueles que são tão convictos de suas verdades e de seus ideais, que tornam-se indestrutíveis. É sobre estas pessoas que falo agora. Pessoas únicas, ímpares. Pessoas que conheci neste sanatório. Figuras dotadas de uma força inimaginável, e quando digo força, não me refiro à força física, tão cultuada pelos estúpidos. Não me refiro a nenhum tipo de força destrutiva, pois estas pessoas a quem me refiro sabem que ser forte não é poder destruir, mas saber construir."
(...)
"Na última sessão de terapia perguntei ao Dr. se eu era um homem louco. Rindo ele respondeu:'A única coisa que nos torna diferentes é que eu possuo a chave do portão'.".


Aqui eu transcrevo um trecho que significa muito para mim:
"...não foram apenas lindas poesias e boas piadas que aprendi neste sanatório. É engraçado, mas eu levei muito tempo para perceber que estava num hospital psiquiátrico (...), uma espécie de prisão onde se detinham pessoas que ainda possuíam sensibilidade.
Para esse mundo, sensibilidade não é qualidade ou característica, é sintoma.
Lá fora vagam os mortos-vivos, aqui dentro estão detidos aqueles que por algum motivo perceberam o absurdo deste sistema estabelecido numa convenção estúpida, castradora, cruel e patética.
Mas mesmo assim a sensibilidade retida neste manicômio é temporária em um breve tempo, todos que aqui chegam são neutralizados bombardeados por psicotrópicos...hipnóticos...tranquilizantes...
'As trágicas fileiras de escravos das drogas se espicham a perder de vista pelos vales desta humanidade cada vez menos humana e sempre mais psicodélica, vazia, enfastiada, inconsequente e mesmificada no sofrimento neurótico e psíquico.' dirá Hermógenes. Tornando-se assim pessoas normais...equilibradas...nem mais nem menos...o meio...o comum... o igual. Mas já disse o poeta que a natureza não faz nada igual. 'Não existem dois flocos de neve iguais.' Mas não importa, eles querem igualar, afinal 'Todos são iguais perante Deus.'.
Mesmo assim, ainda existem aqueles que são mais resistentes, aqueles que são tão convictos de suas verdades e de seus ideais, que tornam-se indestrutíveis. É sobre estas pessoas que falo agora. Pessoas únicas, ímpares. Pessoas que conheci neste sanatório. Figuras dotadas de uma força inimaginável, e quando digo força, não me refiro à força física, tão cultuada pelos estúpidos. Não me refiro a nenhum tipo de força destrutiva, pois estas pessoas a quem me refiro sabem que ser forte não é poder destruir, mas saber construir."
(...)
"Na última sessão de terapia perguntei ao Dr. se eu era um homem louco. Rindo ele respondeu:'A única coisa que nos torna diferentes é que eu possuo a chave do portão'.".


quinta-feira, 6 de maio de 2010
Prisão
Doutor, doutor! O que há de errado comigo?
Sinto a sombra da morte fria de minha alma sugando cada gota de energia que me resta.
Meu coração dispara e minhas mãos estão suadas.
O choro me engasga preso na garganta e o grito não sai.
A respiração não é suficiente, não é suficiente. Sinto a dormência mental tomando conta de todo o meu ser.
Minha alma chora arrependida todos os dias por ter saído do conforto da não-existência para nascer nesta prisão cruel e sem sentido. Meu corpo implora para voltar para a terra e para o descanço no colo quente da mãe natureza de onde nunca deveria ter saído.
Meus olhos doem. Estou tão cansado mas não consigo dormir.
O frio cresce em meu peito e a angústia tira minha respiração.
Me ajude doutor!
Dê um nome a este sentimento, por favor. Mate-o em mim antes que ele me mate.
Por favor, não me deixe congelar aqui fora no escuro.
Me ajude a voltar para dentro. Me ajude a enlouquecer novamente.
Por favor.
Pink Floyd - Hey You
Será o sofrimento apenas mais um mecanismo de sobrevivência desenvolvido nos bilhões de anos da evolução?
Sinto a sombra da morte fria de minha alma sugando cada gota de energia que me resta.
Meu coração dispara e minhas mãos estão suadas.
O choro me engasga preso na garganta e o grito não sai.
A respiração não é suficiente, não é suficiente. Sinto a dormência mental tomando conta de todo o meu ser.
Minha alma chora arrependida todos os dias por ter saído do conforto da não-existência para nascer nesta prisão cruel e sem sentido. Meu corpo implora para voltar para a terra e para o descanço no colo quente da mãe natureza de onde nunca deveria ter saído.
Meus olhos doem. Estou tão cansado mas não consigo dormir.
O frio cresce em meu peito e a angústia tira minha respiração.
Me ajude doutor!
Dê um nome a este sentimento, por favor. Mate-o em mim antes que ele me mate.
Por favor, não me deixe congelar aqui fora no escuro.
Me ajude a voltar para dentro. Me ajude a enlouquecer novamente.
Por favor.
Pink Floyd - Hey You
Será o sofrimento apenas mais um mecanismo de sobrevivência desenvolvido nos bilhões de anos da evolução?
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terça-feira, 20 de abril de 2010
A Obra dos Inacabados
Mesmo em seu fim, o caído se juntará a aqueles que o maltratam e cairá novamente num céu desolado de perdição e desolação.
Sua mão é escura e uma pedra lhe cobre a cabeça de forma singular alterando-lhe a percepção da manhã.
Das profundezas da selva mais escura por entre as árvores antigas sob as montanhas do luar, o vento canta a melodia dos desesperados. Uma fumaça negra paira no ar saída de bocas ocultas no interior daquela terra. Os vermes se deleitam com seu odor e os insetos se contorcem em júbilo sob a luz cinzenta da Lua que penetra por entre os galhos velhos enquanto os gritos ensurdecedores de cem mil almas elevam-se na noite e as estrelas testemunham o nascimento da obra maldita dos desprovidos de consciência.
É dura a pobre maldição daqueles que não falam.
É maldita a deserção daqueles que não escutam.
Somos todos seus fantoches e a floresta nos encontrará.
Digam isto às bestas incrédulas do passado. Que sejam amparadas por sua cabeça degoladora de crianças e que morram sob a obra dos inacabados.
Sua mão é escura e uma pedra lhe cobre a cabeça de forma singular alterando-lhe a percepção da manhã.
Das profundezas da selva mais escura por entre as árvores antigas sob as montanhas do luar, o vento canta a melodia dos desesperados. Uma fumaça negra paira no ar saída de bocas ocultas no interior daquela terra. Os vermes se deleitam com seu odor e os insetos se contorcem em júbilo sob a luz cinzenta da Lua que penetra por entre os galhos velhos enquanto os gritos ensurdecedores de cem mil almas elevam-se na noite e as estrelas testemunham o nascimento da obra maldita dos desprovidos de consciência.
É dura a pobre maldição daqueles que não falam.
É maldita a deserção daqueles que não escutam.
Somos todos seus fantoches e a floresta nos encontrará.
Digam isto às bestas incrédulas do passado. Que sejam amparadas por sua cabeça degoladora de crianças e que morram sob a obra dos inacabados.
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segunda-feira, 19 de abril de 2010
Pinturas de Zdzislaw Beksinski
Zdzisław Beksiński foi um pintor, escultor e fotógrafo nascido em 1929 e foi assassinado em 2005.
14 imagens valem por 14000 palavras:














Estes são apenas alguns exemplos de sua obra incrível.
Site oficial: http://www.beksinski.pl/
Mais imagens: http://lcrazzy1.narod.ru/image/fantasy/zdzislaw_beksinski/1.htm
14 imagens valem por 14000 palavras:














Estes são apenas alguns exemplos de sua obra incrível.
Site oficial: http://www.beksinski.pl/
Mais imagens: http://lcrazzy1.narod.ru/image/fantasy/zdzislaw_beksinski/1.htm
sábado, 17 de abril de 2010
Máquina
A Sombra da Máquina se estende pelo campo, atravessa as colinas e toca minha alma.
Seu som é como os gritos de bilhões de espíritos sendo quebrados, pois ela se alimenta de crianças.
Sim, ela quebra seus espíritos e usa seus corpos na produção de seu combustível hediondo.
Eu quero correr, quero fugir, mas não consigo. Já corri o mais longe que pude.
Estou cansado.
Só há uma saída agora. Uma única saída!
Mas o preço é muito alto, eu não posso pagar. Ainda não.
E enquanto estou sentado no verde gramado sob a sombra terrível da Máquina, sinto o vento frio que foge dela e ouço o rizo alegre daqueles que conseguiram pagar o preço da morte.
Como eu queria ir junto. Mas não consigo.
Ainda não.
Os gritos se aproximam a cada segundo.
Ela nunca conseguirá quebrar meu espírito, é por isso que doerá tanto.
Seu som é como os gritos de bilhões de espíritos sendo quebrados, pois ela se alimenta de crianças.
Sim, ela quebra seus espíritos e usa seus corpos na produção de seu combustível hediondo.
Eu quero correr, quero fugir, mas não consigo. Já corri o mais longe que pude.
Estou cansado.
Só há uma saída agora. Uma única saída!
Mas o preço é muito alto, eu não posso pagar. Ainda não.
E enquanto estou sentado no verde gramado sob a sombra terrível da Máquina, sinto o vento frio que foge dela e ouço o rizo alegre daqueles que conseguiram pagar o preço da morte.
Como eu queria ir junto. Mas não consigo.
Ainda não.
Os gritos se aproximam a cada segundo.
Ela nunca conseguirá quebrar meu espírito, é por isso que doerá tanto.
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domingo, 11 de abril de 2010
À Noite
Lembrei-me de uma coisa que me entristeceu.
Às vezes de madrugada eu sinto o espírito de um velho cachorro meu andando na cama. Não sei se é sonho ou se é de verdade, mas acontece com certa frequência e me dá arrepios. Ele sempre fazia isso quando era vivo pois era bem pequeno e podia dormir na cama.
Se acotecer novamente eu tentarei reunir coragem para levantar a cabeça, olhar e talvez conversar um pouco com ele e perguntar como é morrer.
Constantemente eu o vejo em sonhos onde as pessoas me dizem que ele não havia realmente morrido, mas nunca me dizem o motivo pelo qual todos pensavam que sim.
Me emociono todas as vezes.
Mas esse negócio de ele ficar andando na cama me dá medo.
Às vezes de madrugada eu sinto o espírito de um velho cachorro meu andando na cama. Não sei se é sonho ou se é de verdade, mas acontece com certa frequência e me dá arrepios. Ele sempre fazia isso quando era vivo pois era bem pequeno e podia dormir na cama.
Se acotecer novamente eu tentarei reunir coragem para levantar a cabeça, olhar e talvez conversar um pouco com ele e perguntar como é morrer.
Constantemente eu o vejo em sonhos onde as pessoas me dizem que ele não havia realmente morrido, mas nunca me dizem o motivo pelo qual todos pensavam que sim.
Me emociono todas as vezes.
Mas esse negócio de ele ficar andando na cama me dá medo.
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domingo, 4 de abril de 2010
O Coração da Criancinha
Há alguns anos havia uma criança que, brincando e se escondendo por ruas escuras, encontrou um monstro que a comeu viva.
Mais tarde o monstro defecou e em meio aos fétidos excrementos, cabelo não digerido e vermes, a merda tomou consciência, encontrou o coração daquela criança e disse consigo mesma:
"Hoje sou merda, mas um dia fui aquela criança alegre que brincava de esconder pelas ruas escuras com seus amiguinhos. Este era meu coração e agora é o que tenho de mais precioso."
Ainda não perdi aquele meu coração.
Hoje vivo num mundo de excrementos que se disfarçam de homens e se esquecem de que um dia foram criancinhas comidas pelo monstro e que hoje não passam de merda disfarçada igual a mim.
Mas eu me lembro, pois guardo o coração ainda sujo e agonizante daquela criancinha que perde seu calor a cada dia e apodrece.
Eu sei que um dia eu terei que enterrá-lo pois o cheiro é insuportável.
Sei que um dia me esquecerei.
Sei que um dia atrairei outras crianças para o monstro comer.
Mais tarde o monstro defecou e em meio aos fétidos excrementos, cabelo não digerido e vermes, a merda tomou consciência, encontrou o coração daquela criança e disse consigo mesma:
"Hoje sou merda, mas um dia fui aquela criança alegre que brincava de esconder pelas ruas escuras com seus amiguinhos. Este era meu coração e agora é o que tenho de mais precioso."
Ainda não perdi aquele meu coração.
Hoje vivo num mundo de excrementos que se disfarçam de homens e se esquecem de que um dia foram criancinhas comidas pelo monstro e que hoje não passam de merda disfarçada igual a mim.
Mas eu me lembro, pois guardo o coração ainda sujo e agonizante daquela criancinha que perde seu calor a cada dia e apodrece.
Eu sei que um dia eu terei que enterrá-lo pois o cheiro é insuportável.
Sei que um dia me esquecerei.
Sei que um dia atrairei outras crianças para o monstro comer.
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segunda-feira, 29 de março de 2010
Demência
Vozes em minha cabeça.
Não me deixam dormir. Ao menor descuido elas me enganam, gritam e não psso ouvir mais o que entra pelos ouvidos.
Às vezes me levanto e grito: "Silêncio!!! mas é só mais uma voz no meio de todas. Elas mal me ouvem e logo me confundem e me afogam.
Eu imploro, mas elas riem de mim e me afogam novamente.
Gritam horrores, quebram coisas, devoram meus pensamentos, cagam absurdos e atrocidades.
Me iludem com um sono fino somente para me acordar com o pânico.
Me arrasto até o banheiro. Me jogo com força contra a parede uma, duas, três vezes. Quebro a cabeça. A merda se espalha pelo azulejo.
Deitado, sinto as vozes vazando junto com a merda. Sinto-as escorrendo e descendo para o esgoto.
Silêncio afinal.
Não me deixam dormir. Ao menor descuido elas me enganam, gritam e não psso ouvir mais o que entra pelos ouvidos.

Às vezes me levanto e grito: "Silêncio!!! mas é só mais uma voz no meio de todas. Elas mal me ouvem e logo me confundem e me afogam.
Eu imploro, mas elas riem de mim e me afogam novamente.
Gritam horrores, quebram coisas, devoram meus pensamentos, cagam absurdos e atrocidades.
Me iludem com um sono fino somente para me acordar com o pânico.
Me arrasto até o banheiro. Me jogo com força contra a parede uma, duas, três vezes. Quebro a cabeça. A merda se espalha pelo azulejo.
Deitado, sinto as vozes vazando junto com a merda. Sinto-as escorrendo e descendo para o esgoto.
Silêncio afinal.
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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O Meio
Meu rosto queima em contato com o chão escaldante.
Cheiro de carne queimada.
Não importa mais: o calor destruiu meus nervos.
Meu sangue escorrendo penetra no solo mostrando-me o caminho.
"Tome. Pegue tudo de volta. Sempre foi seu e sempre será."
Minha carne se espalha e frita no chão seco. Meu espírito morre junto com meu sofrimento.
Não há mais nada do que duvidar. Nada mais a temer.
Cheiro de carne queimada.
Não importa mais: o calor destruiu meus nervos.
Meu sangue escorrendo penetra no solo mostrando-me o caminho.
"Tome. Pegue tudo de volta. Sempre foi seu e sempre será."
Minha carne se espalha e frita no chão seco. Meu espírito morre junto com meu sofrimento.
Não há mais nada do que duvidar. Nada mais a temer.
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A mais completa solidão já experimentada
Música
Certa manhã, acordo-me de sonhos inquietos e encontro-me deitado comigo mesmo.
Isso mesmo, literalmente, lá estou eu espantado olhando para mim mesmo bem do meu lado ainda dormindo. Terei morrido?
Me levanto desesperado e penso em gritar por ajuda, mas vejo que é inútil. Não há mais nada a se fazer depois que se está morto.
Mas espere.
O que vejo agora é ainda mais perturbador. Vejo o outro eu que dormia acordar e se levantar sem se dar conta de minha presença.
Percebo então que não estou morto, mas apenas saí de mim mesmo.
Que sonho estranho e terrível. Tento, mas não consigo acordar dele.
Vejo eu mesmo andando pela casa e não parece que nada lhe falta.
Eu grito e ninguém me ouve, tento mover as coisas, mas ninguém me vê.
Que tipo de demônio entra no quarto das pessoas e as separa de si mesmas?
Que coisa horrível, o que será e mim? Esta é a mais completa solidão já experimentada.
Terei eu simplesmente me aborrecido de mim e me livrado de mim mesmo? Quando isso aconteceu? Não me lembro!
Tenho todas as minhas memorias, e o outro eu também parece ter. Nada mudou em nós.
Talvez eu seja simplesmente ma cópia daquele que penso ser eu, mas nada tenho a não ser suas memórias.
Talvez eu nunca tenha existido antes deste momento.
Tudo que penso que só é apenas uma cópia daquele que vejo alí.
.
Passa-se o dia, passam-se as semanas os meses e os anos.
E lá estou eu e aqui estou eu.
Vivo todos estes anos como um fantasma seguindo a mim mesmo.
Durante algum tempo eu tentava aparecer nas fotos, ou tentava causar interferência na tv para que me vissem. Tudo em vão.
Eu nada podia fazer a não ser ver a mim mesmo vivendo sem nunca saber de minha existência, sem nunca sentir falta de mim.
Se eu não sou eu, então o que sou?
.
Bom agora, depois de tanto tempo, decidi abandonar aquele que costumava ser eu e partir para outro lugar, pois aquele já não é mais eu. Somos "pessoas" completamente diferentes agora.
Não é "eu", agora é "ele".
Me pergunto se continuarei assim depois que ele morrer.
Não importa, já não sinto mais nada. Meu espírito está se esvaindo e eu sei que algum dia vou simplesmente desaparecer.
Certa manhã, acordo-me de sonhos inquietos e encontro-me deitado comigo mesmo.
Isso mesmo, literalmente, lá estou eu espantado olhando para mim mesmo bem do meu lado ainda dormindo. Terei morrido?
Me levanto desesperado e penso em gritar por ajuda, mas vejo que é inútil. Não há mais nada a se fazer depois que se está morto.
Mas espere.
O que vejo agora é ainda mais perturbador. Vejo o outro eu que dormia acordar e se levantar sem se dar conta de minha presença.
Percebo então que não estou morto, mas apenas saí de mim mesmo.
Que sonho estranho e terrível. Tento, mas não consigo acordar dele.
Vejo eu mesmo andando pela casa e não parece que nada lhe falta.
Eu grito e ninguém me ouve, tento mover as coisas, mas ninguém me vê.
Que tipo de demônio entra no quarto das pessoas e as separa de si mesmas?
Que coisa horrível, o que será e mim? Esta é a mais completa solidão já experimentada.
Terei eu simplesmente me aborrecido de mim e me livrado de mim mesmo? Quando isso aconteceu? Não me lembro!
Tenho todas as minhas memorias, e o outro eu também parece ter. Nada mudou em nós.
Talvez eu seja simplesmente ma cópia daquele que penso ser eu, mas nada tenho a não ser suas memórias.
Talvez eu nunca tenha existido antes deste momento.
Tudo que penso que só é apenas uma cópia daquele que vejo alí.
.
Passa-se o dia, passam-se as semanas os meses e os anos.
E lá estou eu e aqui estou eu.
Vivo todos estes anos como um fantasma seguindo a mim mesmo.
Durante algum tempo eu tentava aparecer nas fotos, ou tentava causar interferência na tv para que me vissem. Tudo em vão.
Eu nada podia fazer a não ser ver a mim mesmo vivendo sem nunca saber de minha existência, sem nunca sentir falta de mim.
Se eu não sou eu, então o que sou?
.
Bom agora, depois de tanto tempo, decidi abandonar aquele que costumava ser eu e partir para outro lugar, pois aquele já não é mais eu. Somos "pessoas" completamente diferentes agora.
Não é "eu", agora é "ele".
Me pergunto se continuarei assim depois que ele morrer.
Não importa, já não sinto mais nada. Meu espírito está se esvaindo e eu sei que algum dia vou simplesmente desaparecer.
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terça-feira, 10 de novembro de 2009
Quem sou? Onde Estou?
Sempre à noite quando tento dormir, eu fico tentando parar de pensar.
(Tenho certeza que não sou o único.)
Noite passada, eu estava tendo pouco êxito em silenciar meus pensamentos, e como sempre, eles voltavam a todo momento.
Percebi que eu estava mandando uma parte de mim parar de pensar, mas esta parte queria continuar pensando e literalmente desobedecia às ordens desta outra parte que queria parar de pensar.
Ficou extremamente claro parar mim que eu não estou sozinho dentro de minha mente. Há uma grande variedade de pedaços que agem de variadas formas e entram em conflito entre si. Naquela noite eu concentrei-me e prestei bastante atenção e realmente vi que tem muitos dentro de mim, e em certo momento tive muito medo, pois não conseguia me achar no meio daquilo tudo. Será que eu sou só um desses pedaços, ou será que eu sou a junção de todos? Ou talvez tenha um escondido lá no fundo que seja o "eu" de verdade.
Será que estou aqui dentro mesmo?
Eu estou me sentindo aqui. Eu sinto a vida em si. Sinto minha própria vida.
"Eu penso, logo existo."
Mas será que sou eu mesmo que penso? Será?
Até onde tenho controle sobre minha mente?
É inútil que eu tente me controlar de qualquer forma, afinal, sou a soma de muitos, e nem faço ideia de qual deles possui algum controle, se é que algum deles o possui.
(Tenho certeza que não sou o único.)
Noite passada, eu estava tendo pouco êxito em silenciar meus pensamentos, e como sempre, eles voltavam a todo momento.
Percebi que eu estava mandando uma parte de mim parar de pensar, mas esta parte queria continuar pensando e literalmente desobedecia às ordens desta outra parte que queria parar de pensar.
Ficou extremamente claro parar mim que eu não estou sozinho dentro de minha mente. Há uma grande variedade de pedaços que agem de variadas formas e entram em conflito entre si. Naquela noite eu concentrei-me e prestei bastante atenção e realmente vi que tem muitos dentro de mim, e em certo momento tive muito medo, pois não conseguia me achar no meio daquilo tudo. Será que eu sou só um desses pedaços, ou será que eu sou a junção de todos? Ou talvez tenha um escondido lá no fundo que seja o "eu" de verdade.
Será que estou aqui dentro mesmo?
Eu estou me sentindo aqui. Eu sinto a vida em si. Sinto minha própria vida.
"Eu penso, logo existo."
Mas será que sou eu mesmo que penso? Será?
Até onde tenho controle sobre minha mente?
É inútil que eu tente me controlar de qualquer forma, afinal, sou a soma de muitos, e nem faço ideia de qual deles possui algum controle, se é que algum deles o possui.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009
O Cachorro Verde
Música
Noite dessas enquanto dormia passei por um cachorro verde e, tomando consciência de que era um sonho, parei e falei com ele:
"Espere um pouco, quero conversar com você."
Ele me olhou no olho.
Eu disse:
"Eu nunca pensei num cachorro verde, e certamente não estava pensando até ver um. Isso aqui é mesmo minha mente? Certamente não fui eu que inventei isso, então como pode estar aqui? Você existe de verdade?"
Ele se sentou e disse:
"Claro que existo, embora não possa provar. Mas eu sei que existo. Eu penso."
Agora ele estava me dizendo que pensa.
É claro que eu não preciso acreditar. Não acredito no que me dizem nem quando estou acordado.
Me agachei a sua frente para ouvi-lo com atenção. Ele dizia:
"...não sei de onde venho. Surgi há tão pouco tempo com tantos pensamentos que não criei, mas foram colocados em mim. Não sou dono de nenhum deles.
Em verdade nasci com o único propósito de ter esta conversa. Cada palavra que vamos dizer já está programada. Você pode pensar que suas perguntas vêem de sua vontade, mas faz parte do sonho que você pense que tem livre vontade.
Você está sonhando que tem vontade."
"Como você sabe essas coisas? Eu nuca pensei nisso. Como você pode ser criação minha e falar coisas que eu não sei? Isto é fantástico, é como se você realmente tivesse uma existência independente de minha mente!"
"Não sou criação sua.", disse ele. "A mente não é sua. "
"Você faz parte da d'Ela assim como eu e é impossível determinar onde eu termino e você começa. Pensa que controla a mente pois tem uma pequena parcela de consciência e ilusão de vontade.
Quando eu disse que você está "sonhando que tem vontade", eu não me referia somente ao aqui e agora, me referia ao lá fora também, quando a Mente está acordada para o outro mundo. Lá você faz o mesmo papel que eu faço aqui, e a cada vez que ela acorda, você é uma personalidade completamente diferente de quando ela foi dormir mas você nunca será capaz de perceber isto. Eu mesmo só sei porque já nasci com estes pensamentos. Sei que depois que a mente acordar e dormir de novo, eu não existirei mais.
Ela é muito mais complexa do que podemos imaginar. Você perdeu essa sabedoria pois fica a maior parte do tempo olhando para fora, mas não há diferença fundamental entre nós. Somos apenas pedaços da Mente."
Ele mostrou um olhar triste com essas palavras: é o preço da sabedoria.
"O que acontecerá com você quando Ela acordar meu amigo?"
"Vou morrer."
Sua tristeza era minha agora.
Perguntei:
"Mas nos encontraremos novamente no próximo sono certo?"
"Não.
Eu serei dissolvido e misturado com as memórias. Assim, talvez num outro sonho, algumas partes minhas renasçam em outra personalidade que você pode encontrar ou não por aí, mas eu nunca mais existirei. Meus pensamentos, tudo que tenho, serão perdido para sempre.
Só existo mesmo neste momento."
O frio da noite no mundo de fora penetrou no sono.
Uma canção me veio à lembrança.
O cachorro verde desaparecia sendo absorvido pela mente que se preparava para acordar.
Me pediu:
"Cante-me uma canção;
uma canção para me aquecer.
Está tão frio,
tão frio..."
Adeus, amigo.
Noite dessas enquanto dormia passei por um cachorro verde e, tomando consciência de que era um sonho, parei e falei com ele:
"Espere um pouco, quero conversar com você."
Ele me olhou no olho.
Eu disse:
"Eu nunca pensei num cachorro verde, e certamente não estava pensando até ver um. Isso aqui é mesmo minha mente? Certamente não fui eu que inventei isso, então como pode estar aqui? Você existe de verdade?"
Ele se sentou e disse:
"Claro que existo, embora não possa provar. Mas eu sei que existo. Eu penso."
Agora ele estava me dizendo que pensa.
É claro que eu não preciso acreditar. Não acredito no que me dizem nem quando estou acordado.
Me agachei a sua frente para ouvi-lo com atenção. Ele dizia:
"...não sei de onde venho. Surgi há tão pouco tempo com tantos pensamentos que não criei, mas foram colocados em mim. Não sou dono de nenhum deles.
Em verdade nasci com o único propósito de ter esta conversa. Cada palavra que vamos dizer já está programada. Você pode pensar que suas perguntas vêem de sua vontade, mas faz parte do sonho que você pense que tem livre vontade.
Você está sonhando que tem vontade."
"Como você sabe essas coisas? Eu nuca pensei nisso. Como você pode ser criação minha e falar coisas que eu não sei? Isto é fantástico, é como se você realmente tivesse uma existência independente de minha mente!"
"Não sou criação sua.", disse ele. "A mente não é sua. "
"Você faz parte da d'Ela assim como eu e é impossível determinar onde eu termino e você começa. Pensa que controla a mente pois tem uma pequena parcela de consciência e ilusão de vontade.
Quando eu disse que você está "sonhando que tem vontade", eu não me referia somente ao aqui e agora, me referia ao lá fora também, quando a Mente está acordada para o outro mundo. Lá você faz o mesmo papel que eu faço aqui, e a cada vez que ela acorda, você é uma personalidade completamente diferente de quando ela foi dormir mas você nunca será capaz de perceber isto. Eu mesmo só sei porque já nasci com estes pensamentos. Sei que depois que a mente acordar e dormir de novo, eu não existirei mais.
Ela é muito mais complexa do que podemos imaginar. Você perdeu essa sabedoria pois fica a maior parte do tempo olhando para fora, mas não há diferença fundamental entre nós. Somos apenas pedaços da Mente."
Ele mostrou um olhar triste com essas palavras: é o preço da sabedoria.
"O que acontecerá com você quando Ela acordar meu amigo?"
"Vou morrer."
Sua tristeza era minha agora.
Perguntei:
"Mas nos encontraremos novamente no próximo sono certo?"
"Não.
Eu serei dissolvido e misturado com as memórias. Assim, talvez num outro sonho, algumas partes minhas renasçam em outra personalidade que você pode encontrar ou não por aí, mas eu nunca mais existirei. Meus pensamentos, tudo que tenho, serão perdido para sempre.
Só existo mesmo neste momento."
O frio da noite no mundo de fora penetrou no sono.
Uma canção me veio à lembrança.
O cachorro verde desaparecia sendo absorvido pela mente que se preparava para acordar.
Me pediu:
"Cante-me uma canção;
uma canção para me aquecer.
Está tão frio,
tão frio..."
Adeus, amigo.
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sexta-feira, 2 de outubro de 2009
SMA ou possessão demoníaca?
Desde que nasci sofro de diversos tipos de transtornos psiquiátricos variando de ansiedade a síndrome do pânico, fobia social e insônia. Algumas vezes à noite ao me deitar para dormir me atacava uma ansiedade terrível e a vontade era de sair correndo nas ruas rasgando a roupa, quebrando coisas, gritando e tentando quebrar a cabeça nas paredes, e isso era nas noites calmas quando o pânico não atacava. Nesse caso a vontade (e o medo) era de pular da janela. Porém a fobia social me mantinha quieto na cama até que um ataque de nervos me fizesse pegar no sono.
Mas isso é passado. Embora os ataques não tenham sumido por completo,
atualmente esta situação está sendo controlada.
Bom, no entanto, aparentemente de uns meses pra cá um novo transtorno parece estar se instalar em mim, e se chama Síndrome da Mão Alienígena, e é um distúrbio neurológico raro em que a mão age por vontade própria.
(é sério, isso existe e há vários casos comprovaodos so redor do mundo. Neste Link tem mais detalhes sobre o assunto.)
Parece que esse distúrbio ocorre quando há uma lesão numa região do cérebro chamada corpus collosum, que é responsável pela movimentação dos membros. Isto está me atacando.
A ansiedade que antes me atacava durante a noite voltou a atacar, mas ela agora estranhamente se concentra na mão esquerda, e vem a vontade de dar socos nas pareces ou enfiar a mão no liquidificador.
Ainda estou no estado inicial, já que ainda não houve movimentos involuntários consideráveis que eu saiba (se alguém me visse à noite tentando dormir e sacudindo a mão euforicamente e batendo na parede seria constrangedor).
O que me assusta mais ainda são relatos de exorcismos, nos quais o demônio, para se refugiar, esconde-se no braço esquerdo da vítima. Este não é um pensamento muito agradável quando se acorda de madrugada com a sua mão prestes a tentar te estrangular ou arrancar seus olhos.
Não sei quanto tempo tenho até que a minha mão tente me matar e também não sei se terei a coragem necessária para decepá-la quando for necessário, mas é certo que a hora está chegando.
Mas isso é passado. Embora os ataques não tenham sumido por completo,
atualmente esta situação está sendo controlada.Bom, no entanto, aparentemente de uns meses pra cá um novo transtorno parece estar se instalar em mim, e se chama Síndrome da Mão Alienígena, e é um distúrbio neurológico raro em que a mão age por vontade própria.
(é sério, isso existe e há vários casos comprovaodos so redor do mundo. Neste Link tem mais detalhes sobre o assunto.)
Parece que esse distúrbio ocorre quando há uma lesão numa região do cérebro chamada corpus collosum, que é responsável pela movimentação dos membros. Isto está me atacando.
A ansiedade que antes me atacava durante a noite voltou a atacar, mas ela agora estranhamente se concentra na mão esquerda, e vem a vontade de dar socos nas pareces ou enfiar a mão no liquidificador.
Ainda estou no estado inicial, já que ainda não houve movimentos involuntários consideráveis que eu saiba (se alguém me visse à noite tentando dormir e sacudindo a mão euforicamente e batendo na parede seria constrangedor).
O que me assusta mais ainda são relatos de exorcismos, nos quais o demônio, para se refugiar, esconde-se no braço esquerdo da vítima. Este não é um pensamento muito agradável quando se acorda de madrugada com a sua mão prestes a tentar te estrangular ou arrancar seus olhos.
Não sei quanto tempo tenho até que a minha mão tente me matar e também não sei se terei a coragem necessária para decepá-la quando for necessário, mas é certo que a hora está chegando.
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